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Brasília - Apesar da
queda na desigualdade de gênero no Brasil, as mulheres ainda
enfrentam discriminação no mercado de trabalho e na
esfera política. O 3º Relatório de Nacional de
Acompanhamento dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio
(ODM), divulgado hoje (29) pela Presidência da República,
mostra que as mulheres predominam nas universidades, mas ainda
recebem menos que os homens.
“As
desigualdades de gênero e raça vêm diminuindo, mas
permanecem altas, principalmente no mercado de trabalho e nas esferas
de poder”, afirmou a coordenadora-presidente do Sistema
das Nações Unidas no Brasil, Kim Bolduc.
Segundo o relatório, as
mulheres têm mais acesso que os homens ao três níveis
de escolaridade: fundamental, médio e superior e, quanto mais se avança na escala de
escolaridade, maior a proporção de mulheres entre os
estudantes. A diferença se acentua na chegada à
universidade, onde o número de mulheres é 30,8% maior
que o de homens. Os dados utilizados são da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) de 2005.
Entretanto, o
avanço educacional não garante a entrada das mulheres
no mercado de trabalho e o acesso a salários iguais aos dos
homens que ocupam a mesma posição. Em 2005, 74,3% dos
homens com 10 anos de idade ou mais trabalhavam ou estavam à
procura de emprego, enquanto apenas 52,9% das mulheres estavam na
mesma situação
Segundo o
relatório, 17% das mulheres brasileiras são
trabalhadoras domésticas, e esse alto número
revela a precariedade do trabalho feminino no Brasil. Em 2005, mais
da metade delas não tinha carteira de trabalho.
Na esfera
política, o número de mulheres eleitas para o Congresso
Nacional e para o Poder Executivo aumentou nos últimos anos,
mas o Brasil ainda ocupa o 67º lugar entre 115 países
avaliados num ranking de participação política
feminina elaborado pelo Fórum Econômico Mundial em 2006.
Dos 513 deputados da Câmara, por exemplo, apenas 45 são
mulheres, menos de 10% do total.
Em
contrapartida, cresceu o número de magistradas na Justiça
brasileira e pela primeira vez, uma mulher assumiu a presidência
do Supremo Tribunal Federal, a ministra Ellen Gracie, que ocupa o
posto desde 2006.
Promover
a igualdade entre os sexos e a autonomia da mulheres é um dos
oito Objetivos do Milênio (ODMs), que foram lançados em 2000 durante a Cúpula
do Milênio das Nações Unidas, com a adesão
de 189 países, entre os quais o Brasil.
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