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Brasília - O possível recurso ao Supremo Tribunal
Federal (STF) como forma de reverter a decisão do Conselho de
Ética de votar abertamente a proposta de cassação
do mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
provocou a reação dos senadores Renato Casagrande
(PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS). Eles são relatores do
processo com votação marcada para quarta-feira (5).
O senador Gilvam Borges (PMDB-AP) foi quem
informou, ontem (30), que o grupo político que apóia
Renan entraria com recurso no STF caso o plenário do conselho
decidisse, como ocorreu, pela votação aberta. "Se
o voto for aberto vamos pedir vistas de cinco dias para recorrer ao
Supremo, que é o órgão competente para dirimir
esta dúvida", afirmou.
Renato Casagrande avalia que
tal atitude "seria pior para o presidente do Senado e para a
instituição". Ele diz acreditar que o STF nem
sequer apreciaria a matéria, mesmo em caráter liminar,
uma vez que se trata de um "assunto interno" da Casa e há
precedência, no Conselho de Ética, de votações
idênticas nas quais os senadores votaram publicamente ou
manifestaram suas opiniões em votação
secreto.
Marisa Serrano manifesta a mesma opinião. "Isso
[recorrer ao tribunal] significaria enfraquecer a função
do Legislativo. O plenário do Conselho de Ética decidiu
por sua maioria cumprindo todos os ritos legais", defende a
relatora. A parlamentar opina que "a omissão do regimento
interno" deve ser resolvida pelos senadores e não por
outro poder (o Judiciário, no caso).
O senador Almeida Lima
(PMDB-SE), que também integra a comissão de relatores
que investigou se o presidente do Senado teve contas pessoais pagas
por um funcionário da Mendes Júnior, diz que retirou
esse assunto de sua pauta "neste momento". Ontem, após
a votação no conselho, ele reconheceu que o assunto
estava em avaliação pelo grupo que é contra a
cassação de Renan e a votação secreta no
Conselho de Ética.
O relator peemedebista ressaltou que um
eventual recurso ao STF, por meio de mandado de segurança,
seria "legítimo" e poderia ser feito por qualquer
membro do Conselho de Ética. Acrescentou que o fato de não
considerar o assunto, no momento, não significa que descarte a
possibilidade na próxima semana.
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