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Brasília - Desde a determinação, no ano passado, da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para que ministérios e estatais transferissem documentos
referentes à ditadura militar para o Arquivo Nacional, que
trabalha na criação de um banco de dados virtual sobre
o período, o
material da instituição cresceu 15 vezes.
O Arquivo Nacional recebeu documentos dos órgãos federais, como os do
Ministério a Justiça e da Polícia Federal, mas
até o momento não recebeu nenhuma informação
do Exército, Aeronáutica e Marinha, como informou o
diretor do Arquivo Nacional, Jaime Antunes da Silva.
Segundo ele, o
Ministério da Defesa encaminhou os avisos da ministra Dilma
Rousseff aos comandos das Forças Armadas, mas não obteve resposta. “Não
recebemos até o momento acervos oriundos dos centros de
informação da Marinha, Aeronáutica e do
Exército”, disse Antunes, à Agência Brasil.
No entanto, para
o diretor, será possível conseguir informações
sobre as organizações militares por meio do cruzamento de documentos de
arquivos públicos estaduais e do próprio Arquivo
Nacional. O último já reúne 4 milhões de
páginas sobre a ditadura.
“Os Dops [Departamento de Ordem
Política e Social] se comunicavam entre si. Dentro dos arquivos,
já temos um contingente de informação
significativo, oriundo desses órgãos de informação”.
Na opinião de
Antunes, divulgar documentos sobre a ditadura não significa
“revanchismo”. “Não é revanchismo. É para
que se coloque a informação a serviço da
crítica histórica, da construção de
conhecimento. As pessoas se apropriam da informação e
constroem conhecimento. É do confronto desses dados, de
opinião, que vamos ter essa história de alguma maneira
contada com objetividade e isenta de paixão”.
Na última
quarta-feira (29), a Secretaria Especial de Direitos Humanos lançou
o livro Direito à Memória e à Verdade, que conta
histórias de 479 militantes políticos mortos
ou desaparecidos durante a ditadura militar (1961-1988). A publicação
é resultado de 11 anos de pesquisa da Comissão Especial
sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.
Na cerimônia
de lançamento, no Palácio do Planalto, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo não
medirá esforços para solucionar os casos de
desaparecimento e morte de militantes políticos.
“Vamos
continuar com mais experiência. Da experiência de 11
anos, a comissão já sabe o que foi difícil, o
que foi mais fácil, o que é possível aprimorar,
o que não é possível aprimorar. Se for preciso
fazer decreto, fazer lei, nós vamos ter que fazer. Se for
preciso colocar mais gente na comissão, vamos colocar".
Segundo Lula, não haverá nenhum problema de
conversar com quem quer que seja, envolver quantos ministros forem
necessários, para que se possa apresentar essa resposta.
"A resposta que eu acho justa”.
Após o lançamento do livro, o jurista Fábio Konder Comparato afirmou, em entrevista à Agência Brasil, que as pessoas que sabem onde estão os corpos de desaparecidos políticos da época do regime militar continuam praticando o que se chama de “crime continuado”, apesar da Lei de Anistia aprovada em 1979.
O comando do Exército divulgou nota afirmando que "a Lei da Anistia, por ser parâmetro de conciliação, produziu a indispensável concórdia de toda a sociedade, até porque fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas". Completa dizendo que colocar a Lei da Anistia "em questão importa em retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas".
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