O ministro da Defesa, Nelson Jobim, respondeu ontem (3) as críticas do representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Aderson Bussinger, que classifica a força de paz no Haiti como "tropa de ocupação", além de ser omissa no trabalho humanitário. Bussinger integrou uma missão de movimentos sociais e sindicatos, que visitou o Haiti em junho. Ele elaborou  um relatório sobre o assunto, com entrega marcada para quinta-feira (6) ao Conselho Federal da OAB.

"Isso mostra absoluto desconhecimento da situação aqui. É um voluntarismo típico daquela necessidade de fazer oposição", disse o ministro Nelson Jobim, em uma entrevista na principal base da tropa brasileira no Haiti. Indagado sobre a crítica de que a ONU estaria encobrindo ações violentas e ilegais da Polícia Nacional do Haiti, Jobim também negou. "Não faz nenhum sentido, basta ver, basta circular. Seria bom que viesse ver."

Ontem (3), o ministro assistiu a palestras dos comandantes militares no Haiti e do embaixador brasileiro Paulo Cordeiro. Além disso, em comboio com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, visitou os postos de ação dos capacetes-azuis em Cité Soleil, favela que era o principal reduto de grupos armados e que foi ocupada no início do ano.

Hoje (4), Nelson Jobim se reúne com ministros da Defesa sul-americanos, diplomatas e autoridades haitianas para discutir a situação política e social do país e a atuação da força de paz. A agenda oficial prevê uma entrevista coletiva com o presidente do Haiti, René Garcia Préval, que comanda o país desde fevereiro do ano passado, quando foi eleito.