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Brasília - O
processo de estabilização da paz e reconstrução
do Haiti será um dos temas centrais da visita de Estado que o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará a Oslo, nos
dias 13 e 14 deste mês. O assunto será debatido na
segunda edição do seminário Brasil-Noruega: Paz,
Reconciliação e Mediação, promovido pelos
dois países para troca de experiência sobre promoção
da paz em áreas de conflito e auxílio a países
em fase de reconstrução. O primeiro seminário do
gênero foi realizado em 2003, durante visita do rei Harald 5º e
da rainha Sonja ao Brasil.
“A
segunda edição terá como foco o Haiti, à
luz da presença brasileira na Minustah [missão de paz da ONU no Haiti], do trabalho que temos
feito de reconstrução do Haiti e à luz, também,
da parceria que Brasil e Noruga têm no Haiti”, justifica a
embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, chefe do Departamento da
Europa do Ministério das Relações Exteriores. Em parceria com a Noruega, a organização não-governamental Viva Rio
desenvolve projeto de desenvolvimento local em Porto Príncipe,
capital do Haiti – a atuação envolve ações
como a reconstrução de cisternas e a recuperação
de favelas.
A
agenda do presidente na Noruega também prevê a
realização de seminário empresarial, com
executivos brasileiros e noruegueses, sobre biocombustíveis e
sobre oportunidades de investimento no Brasil a partir do programa de
Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo Maria
Edileuza, 120 empresas norueguesas já estão presentes
no Brasil. A Petrobras e a petrolífera norueguesa Statoil
trabalham em conjunto na prospecção e exploração
em águas profundas. Já a norueguesa Norsk atua em
parceria com a Vale do Rio Doce – detêm 34% da refinaria
Alunorte e 5% da Mineração Rio do Norte. Outro grupo
norueguês, o Aker, atua na produção de
plataformas e nos campos submarinos de petróleo. Também
estão no Brasil empresas norueguesas produtoras de
fertilizantes. “Esperamos que a visita atraia ainda mais
investidores”, diz a embaixadora.
De
acordo com a diplomata, o Brasil também quer dinamizar o
turismo – anualmente o país recebe cerca de 30 mil turistas
noruegueses. “Esses turistas têm uma parcela de investimentos
na compra de imóveis no Brasil, que também é
estimulante”, afirma.
Setor
que interessa particularmente ao Brasil é a troca de
experiências, com a Noruega, no setor de pesca. “A Noruega é
talvez o maior exportador mundial de pescado e nossa Secretaria
Especial de Aquicultura e Pesca já está em
entendimentos com sua contraparte lá para trabalhar na
transferência de tecnologia e intercâmbio de
pesquisadores”, revela a embaixadora. Ela afirma, porém, que
ainda não será possível assinar acordo na área.
“Mas vamos aprofundar os entendimentos”, ressalta. O único
acordo que deve ser assinado entre os dois países
possibilitará o trabalho de dependentes de diplomatas e
funcionários governamentais de um país no outro.
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