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Brasília - O governo argentino está afastado das demandas dos movimentos sociais e
a situação vai se agravar se Cristina Kirchner, mulher do presidente
Néstor Kirchner e favorita para substituí-lo, vencer as eleições de 28
de outubro. Essa é a opinião do secretário-geral da organização
argentina Movimento pela Paz, Soberania e Solidariedade entre os Povos
(Mopassol), Juan Domingos Roque.
"Ela [Cristina] está reconstituindo as relações
com os Estados Unidos, com os europeus e com algumas
instituições financeiras internacionais. Aqui deveríamos
ter maior expectativa por desenvolvimento social, mas o
que parece [prioritário] é um maior desenvolvimento econômico, então
creio que vai haver uma mudança, do ponto de vista dos
movimentos sociais, para pior. [Cristina] estaria favorecendo os
interesses econômicos, digamos, a visão normal do
neoliberalismo de que se tem que promover e facilitar a acumulação
de riqueza", afirmou em entrevista à Agência Brasil.
Num evento com empresários, a candidata disse que ganhar dinheiro não é pecado. Quanto à candidata Elisa Carrió, cotada para disputar o segundo turno
com Cristina se ela não liqüidar a disputa no primeiro, o ativista não
vê a mesma tendência. "Ela está
dizendo que na Argentina, o problema na verdade não é
econômico. É social e cultural."
Roque afirma que Carrió também propõe um modelo que vá além da dicotomia entre as idéias de
esquerda ou direita, um pacto moral para resgatar as
relações de solidariedade entre os argentinos, valorizando sujeitos honestos. "O que ela está dizendo é
que nesse país, o que perdemos não é a economia,
mas a moral."
Para ele, é uma possibilidade de um debate
diferenciado, no qual os argentinos se perguntem não que modelo de
economia querem, mas que modelo de sociedade desejam,
independentemente de como vão chamá-lo, "se socialismo,
comunismo ou o que seja". "Creio que é mais facil mudar um modelo
social do que um modelo econômico."
O secretário do Mopassol acha que o governo Kirchner está distante
das demandas dos movimentos sociais, assim como os grupos econômicos.
"Há um
divórcio entre a nossa agenda e a agenda do governo e dos
partidos políticos". Um exemplo, segundo ele, é o "forte impacto" de
políticas de militarização "sugeridas" pelos Estados Unidos.
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