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Brasília - Pelo menos em
princípio, nada deve mudar no comércio de trigo e
farinha entre Brasil e Argentina depois da eleição presidencial do país vizinho, no próximo domingo (28). É essa a expectativa da
Câmara Setorial da Cadeia Produtiva das Culturas de Inverno e da Associação Brasileira da Indústria do
Trigo (Abitrigo), que reclamam de subsídios praticados pelo governo de Néstor Kirchner.
Com esse apoio do poder público, a farinha, principalmente, tem sido exportada a preços
abaixo do mercado. “Ela [a Argentina] está fornecendo muita
farinha, e essa farinha sim nos
traz alguns percalços, porque entra [no Brasil] de uma forma
subsidiada”, diz o presidente da Câmara Setorial, Rui
Polidoro.
O
presidente do conselho deliberativo da Abitrigo, Luiz Martins,
explica que, desde 2002, o governo
argentino manobra para aumentar a venda de farinha para o
Brasil, fazendo incidir um imposto de 20%, maior que o do trigo em grão, que é de 10%. “Colocando
10% sobre a farinha e 20% sobre o trigo, logicamente o que o governo
argentino quer é que o que os argentinos exportem para o
Brasil não o trigo, mas a farinha, um produto
manufaturado”.
A tonelada de trigo vendida para moinhos brasileiros custa US$ 180. Já os moinhos
argentinos que pretendem vender farinha para o Brasil pagam US$
120.
Para
o dirigente, essa política do governo Kirchner prejudica o
comércio entre os países. “Nos governos anteriores, nós nunca tivemos problemas, sempre
concorremos em igualdade de condições com os moinhos
argentinos. A partir desse novo governo, temos dificuldade, existe
subsídio e nós temos que lutar desigualmente no
mercado”.
Ele não vê futuro nessa prática. “Nós
entendemos que essa política de subsídio, primeiro,
contraria o mecanismo do Mercosul. Em segundo lugar, não tem
vida longa. O subsídio nunca teve vida longa em lugar nenhum”.
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