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Brasília - Lideranças da
Terra Indígena Raposa Serra do Sol, de Roraima assinaram, em
Brasília, com o governo federal carta-compromisso com o
objetivo de firmar responsabilidades entre os índios e a União
no processo de desocupação da terra pelos não-índios.
De acordo com o documento assinado, os índios se
comprometem a evitar confrontos e manter um relacionamento de
respeito mútuo. Ainda segundo o texto, o governo federal deve
assumir, com a participação dos indígenas, ação
coordenada e sistemática para proteger os direitos dos povos.
Os índios pediram ainda a construção de
políticas públicas e projetos de desenvolvimento
sustentável na região. "Essa carta-compromisso
representa um grande respeito e união dos povos indígenas
e o fortalecimento com o governo federal", afirmou Dionito José
de Souza, coordenador-geral do Conselho Indigenista de Roraima
(CIR).
A Raposa Serra do Sol foi homologada em 15 de maio de
2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A terra, de
1,74 milhão de hectares (o equivalente a dois terços do
território de Sergipe), abriga aproximadamente 18 mil índios.
O processo de reassentamento dos não-índios começou
no ano passado. O Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária (Incra) já destinou 31,3 mil hectares
de terras públicas da União para atender aos
remanescentes.
Segundo a assessoria de imprensa do Incra, já
foram atendidas 102 famílias, sendo 37 de pequenos produtores.
Todos terão que sair, mas alguns fazendeiros ainda mostram
resistência. O presidente da Fundação Nacional do
Índio (Funai), Márcio Meira, disse que os produtores
estão na terra ilegalmente. Segundo ele, as indenizações
pelas benfeitorias estão sendo repassadas e para quem se
recusou a receber o governo federal ajuizou o pagamento.
"Queremos desocupação tranqüila. Eles terão
que sair e queremos que isso seja feito na maior tranqüilidade
para que o estado de Roraima continue seu processo de
desenvolvimento, de crescimento respeitando o direito dos índios
e dos não-índios", observou.
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