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Brasília - A estiagem
prolongada, a vegetação seca e a baixa umidade relativa
do ar fazem com que 2007 seja considerado o “ano do fogo”, de
acordo com o coordenador do Sistema Nacional de Prevenção
e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), Elmo Monteiro.
Segundo ele, neste ano já foi registrado um número 30%
maior de queimadas em áreas florestais que no mesmo período
do ano passado.
“Em 2006 tivemos algumas chuvas no período
de estiagem, o que não tivemos este ano, e isso tem
prejudicado bastante o controle do incêndio no país”,
explica.
Em agosto, os satélites do
Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe) registraram 16.592
focos de incêndio em todo o país. O número é
mais que o dobro do constatado no mesmo período do ano passado
(8,2 mil focos). Os estados que mais registraram focos foram Pará
(5.020), Mato Grosso (4.665) e Rondônia (1.663).
Monteiro apontou a utilização
de fogo fora de época, especialmente por pequenos
agricultores, como outro fator que preocupa as equipes que trabalham
no combate a incêndios florestais: “Isso tem nos preocupado
muito porque, por mais que você tenha um trabalho de prevenção,
com as questões climáticas associadas à atuação
dessas pessoas realmente fica muito difícil para nós
controlar essas unidades”.
Ele disse que o Prevfogo faz,
anualmente, convocação nas comunidades que residem no
entorno das unidades de conservação para selecionar e
treinar brigadistas, que depois são contratados para prevenção
e combate ao fogo. “As unidades são dotadas de equipamentos
de combate, veículos, quando necessários, aeronaves,
caminhões-pipa, equipamentos individuais”, disse. Segundo
Monteiro, o contingente soma 950 brigadistas, e a meta é
chegar ao final do ano com 1.288.
“Com o nível dos
incêndios que estão ocorrendo este ano, os brigadistas
do Prevfogo não são suficientes, então temos que
recorrer ao apoio de outras instituições, como
militares do Corpo de Bombeiros, Exército, voluntários,
além de outras instancias, como a Polícia Federal.
Quando foge a esse controle trabalhamos em parceria com instituições
estaduais e municipais”, acrescentou.
Segundo ele, a
vegetação do cerrado é a mais atingida pelos
incêndios. A maior área florestal queimada até
agora neste ano foi registrada no Parque Nacional da Chapada dos
Veadeiros, em Goiás. Lá, pelos dados do Inpe, o fogo
consumiu 40,7 mil hectares, o que representa quase 60% da área
total do parque. O incêndio foi debelado no último fim
de semana, mas degradou o equivalente a meia Goiânia (ou 40 mil
campos de futebol).
No Parque Nacional de Brasília,
também conhecido como Água Mineral, o estrago também
foi grande: 11 mil hectares atingidos pelo fogo. Também foram
registrados incêndios no Parque Nacional do Itatiaia, no Rio de
Janeiro, no Parque Nacional da Serra do Cipó e no Grande
Sertão Veredas, ambos em Minas Gerais, mas os focos já
estão controlados.
No momento, os brigadistas tentam
conter o fogo no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no
Mato Grosso, que já atingiu 3 mil hectares. Também há
incêndios em fase inicial no Parque Nacional da Serra da
Canastra, em Minas Gerais, e na Floresta Nacional de Carajás,
no Pará.
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