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São Paulo - A falta de titularidade
das terras impede o acesso a programas públicos e foi um dos
principais problemas destacados pelos representantes e moradores de
cerca de 30 comunidades quilombolas do estado de São
Paulo, nesta semana, na capital. Eles levaram suas reivindicações
aos procuradores da República, em audiência pública
realizada na sede do Ministério Público Federal
paulista.
“A gente espera que o Ministério Público
ajude a gente a fazer o governo desencadear este processo, que o
governo cumpra com suas obrigações, dando saúde,
transporte, educação, mas principalmente na questão
da regularização das terras quilombolas”, disse
Benedito Alves da Silva, presidente da Associação do
Quilombo de Ivaporunduva, no qual vivem 400 pessoas, em Eldorado, município do Vale do
Ribeira (sul do estado).
“A
comunidade não tem acesso a uma série de programas por
não ter título de propriedade”, afirmou André
Luis Pereira de Moraes, militante do Movimento dos Ameaçados
por Barragens e membro da Associação Remanescentes de
Quilombo André Lopes, também localizado na cidade de
Eldorado.
Segundo Moraes, a falta de título de posse
impediu que o Ministério da Cultura aprovasse um projeto da
Universidade de Campinas (Unicamp) de inclusão digital para
quilombolas do Vale do Ribeira. “Isso prejudica muito a comunidade,
que vai perdendo toda sua característica, vai se acabando, por
não ter o domínio de seu território”,
afirma.
Moraes também disse que “as regras ambientais
atrapalham muito”. De acordo com Moraes, as comunidades de
Ivaporanduva e de André Lopes estão em área de
preservação ambiental, o que impede que eles façam
livre uso dos recursos disponíveis. Ele entende que as formas
do quilombola se relacionar com a natureza são distintas
daquelas idealizadas pelos “ambientalistas formados em
universidades”.
Segundo a assessoria de imprensa do Itesp,
no Estado de São Paulo há 21 comunidades já
reconhecidas pelo governo paulista, por estarem em terras do estado.
Dessas, apenas cinco já foram tituladas e uma com a titulação
a ser entregue em outubro, a comunidade do Quilombo do Galvão,
também em Eldorado. Esses números não abragem
comunidades que possam estar em terras pertencentes à
União.
A audiência Políticas Públicas
para Comunidades Quilombolas foi realizada na última quarta-feira (12) e
contou com a participação de representantes da
Secretaria Especial de Políticas de Promoção de
Igualdade Racial (Seppir), do Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto de Terras do Estado
de São Paulo (Itesp, do governo paulista).
Com a
audiência pública, os membros da Procuradoria Regional
dos Direitos do Cidadão recolheram subsídios para
embasar um grupo de trabalho constituído para discutir os
problemas e propostas de soluções para as comunidades
quilombolas.
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