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Brasília - Os
povos indígenas e remanescentes de quilombos terão
tratamento específico no Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) da Fundação Nacional de Saúde
(Funasa). A Fundação Nacional do Índio
(Funai) também prepara uma PAC para os povos indígenas,
que também será lançado nesta semana, na
sexta-feira (21). O
PAC Funasa vai atender os povos indígenas e quilombolas
especificamente nas ações de tratamento de água
e de esgoto.
De
acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai),
a idéia é atender, principalmente, índios da
reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, e de São
Gabriel, que representam mais de 90% da população do
município amazonense. A Terra Raposa Serra do Sol foi
homologada em 15 de maio de 2005. Com 1,74 milhão de hectares (o equivalente a dois terços do
território de Sergipe), a terra abriga aproximadamente 18 mil índios.
Em
Maturica, uma das aldeias da Raposa Serra do Sol, o vazamento das
fossas está derrubando casas. “Tem caixas d'água que
estouraram, que estão vazando e caindo. Aí as paredes
estão caindo e as próprias casas”, conta o índio
Jonito José de Souza, do povo Matuxi.
Segundo
Jonito, as fossas foram instaladas há cerca de dois anos , mas “tá
mal feito, tem mal cheiro”. Mas o vazamento não chega a
comprometer a saúde dos moradores e a malária, um dos
problemas da aldeia no passado, está controlada.
José
afirma que não ouviu falar do PAC. “Por enquanto, eu não
tô sabendo ainda”. Ele reclama que “nunca vem" o saneamento
básico. "A propaganda do governo federal foi muito boa, mas até
agora não está sendo cumprida, né”?
Se
o programa chegar à comunidade, Jonito já sabe o que
pedir. “Que arrumem as fossas, que façam um trabalho mais
completo para ter um melhoramento. No posto de saúde foi bem
feito, nunca vazou. Mas das casas está vazando, caindo.
Acredito que tem que trabalhar mais organizado, melhorar a
engenharia”.
De
acordo com o índio, a minoria das aldeias da Raposa do Sol dispõem de tratamento de esgoto. As metas do PAC Funasa
são dobrar cobertura e soluções adequadas para
esgoto nas aldeias, de 30% para 60%, e elevar a de abastecimento de
água nas aldeias, de 62% para 90%. “Queremos chegar a 90%
universalizando o atendimento às comunidades indígenas
do eixo Sul e Sudeste do país e do Mato Grosso do Sul”,
afirma o o presidente da Funasa, Danilo Forte.
Na
Amazônia, “apenas 7% dos índios (um quarto dos índios
brasileiros) tem acesso a água tratada de qualidade. Queremos
que esse número chegue a 60% em três anos”, diz o
presidente.
O
investido do PAC Funasa será de R$ 220 milhões em 1,3
mil aldeias, beneficiando 122 mil indígenas. Desse
percentual, R$ 93,5 milhões serão investidos na região
Norte onde está localizada a maior parte da população
indígena brasileira, beneficiando 73,3 mil indígenas.
As
comunidades remanescentes de quilombos também serão
priorizadas pelo PAC Funasa. A meta é oferecer água de
boa qualidade e destinação adequada de esgoto
para 40 mil quilombolas, em 400 comunidades, totalizando R$ 170
milhões de investimentos. Foram priorizadas comunidades
tituladas pelo Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra)
ou em processo de titulação.
Além
do tratamento de água e esgoto pela Funasa, a Funai prepara
outras ações para o desenvolvimento de infra-estrutura
nas aldeias indígenas.
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