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Brasília - A Secretaria de
Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e
Emprego suspendeu por tempo indeterminado as ações do
Grupo Especial de Fiscalização Móvel, criado em
1995 para combater o trabalho escravo no país. A decisão
foi comunicada ao ministro Carlos Lupi na última sexta-feira
(21), por meio de memorando encaminhado pela secretária Ruth
Vilela, responsável pelas ações e sob o
argumento de que haveria “interferências políticas”.
No documento, Vilela explica que a decisão foi tomada
após "recente desqualificação" feita
pela Comissão Temporária Externa do Senado sobre a
existência de trabalho escravo apurada pelo ministério
em uma fazenda da empresa Pará Pastoril Agrícola
(Pagrisa), situada no município de Ulianópolis, no
Pará. No texto, a secretária também menciona "a
insegurança que se projetou sobre as ações
desenvolvidas pelo ministério" com o objetivo de
erradicar o trabalho escravo no Brasil.
Durante a fiscalização
na fazenda da Pagrisa, realizada no início de julho, foram
encontrados 1.108
trabalhadores em situação análoga à
escravidão no local. A comissão externa a que se
refere a secretária foi instalada em 4 de setembro, por
requerimento do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), para investigar as
denúncias de trabalho escravo contra a empresa. Na última
quinta-feira (21) uma comitiva de senadores esteve na fazenda,
chefiados pelo presidente da comissão, Jarbas Vasconcelos
(PMDB-PE), e pela relatora, Kátia Abreu (DEM-TO).
No
documento encaminhado ao ministro, Vilela critica a interferência
dos senadores. Segundo ela, a suspensão das ações
do grupo móvel se justifica pela necessidade de assegurar aos
auditores-fiscais do trabalho um mínimo de segurança e
condições de trabalho para o correto exercício
de suas atribuições, "livres da ingerência
de fatores estranhos à ação administrativa".
À época da ação, a BR Distribuidora, empresa subsidiária da Petrobras, anunciou a
suspensão da compra de álcool combustível da empresa Pagrisa, do grupo
Pará Pastoril Agrícola S. A.
A assessoria de Jarbas Vasconcelos destaca, por meio de nota, que a
visita à fazenda da Pagrisa teve o objetivo de averiguar
denúncias "de que excessos foram cometidos na operação
fiscalizadora". Mas ressalta que, "de maneira alguma",
o trabalho da comissão reduz a importância da atuação
do grupo móvel, "essencial para coibir e reprimir abusos
contra as normas da Organização Internacional do
Trabalho.
Na nota, a assessoria afirma que cabe à
comissão analisar todos os fatos com isenção e
se posicionar apenas ao final das averiguações,
"confirmando ou não eventuais excessos".
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