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Brasília - A Comissão Temporária Externa do
Senado aprovou hoje (26) requerimento para realização
de audiências com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e a
secretária de Inspeção do Trabalho, Ruth Vilela.
Eles deverão prestar esclarecimentos sobre a ação
de fiscalização na empresa Pará Pastoril
Agrícola (Pagrisa), flagrada com trabalhadores escravos em junho. As reuniões serão públicas e devem
começar na terça-feira (2).
Os irmãos Murilo, Fernão e Marcos
Villela Zancaner, proprietários da Pagrisa, também
devem ser ouvidos. Assim como o auditor do trabalho e chefe da
fiscalização na empresa, Humberto Célio. Cerca
de 20 outras pessoas serão convidadas. Entre elas,
representantes da Confederação da Agricultura e
Pecuária (CNA) e da Comissão Nacional de Erradicação
do Trabalho Escravo (Conatrae).
A idéia da comissão é ouvir
todas as partes envolvidas na fiscalização da fazenda e
verificar se a fiscalização cometeu abusos,
principalmente ao rescindir o contrato dos funcionários, disse
a relatora da comissão, a senadora Kátia Abreu
(DEM-TO).“O nosso papel não é condenar o ministério
e nem absolver patrão rural”, afirmou, acrescentando que "há
indícios de abuso de poder".
Ainda durante a audiência da comissão
do Senado, Kátia Abreu destacou, como preocupação
dos senadores, a manutenção dos empregos na região.
“Não adianta libertar e desempregar. Temos que achar um
caminho”. E informou que a Fazenda Pagrisa é uma das maiores
empregadoras do município de Ulianópolis, localizado a
450 quilômetros de Belém (PA).
O presidente da comissão, o senador Jarbas
Vasconcelos (PMDB-PE), avaliou que é cedo para julgar a
credibilidade da operação do Ministério do
Trabalho na Fazenda Pagrisa. Para ele, o momento é de “se
debruçar sobre o relatório apresentado pelo ministério
e ponderar com o que a empresa diz”.
Os senadores que
integram a Comissão Temporária Externa também
aprovaram um documento cobrando do ministro Lupi a volta imediata das
atividades da Secretaria de Inspeção do Trabalho,
responsável pelas ações de fiscalização
de trabalho escravo no país.
No início da tarde, Lupi apresentou à
Subcomissão Temporária do Trabalho Escravo, ligada à
Comissão de Direitos Humanos do Senado, 18 volumes de um
relatório com fotos da fiscalização que autuou a
Pagrisa.
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