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Brasília - A
adoção de políticas educacionais específicas
e a inclusão das creches no âmbito de ações
do Fundo Nacional de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e de
Valorização dos Profissionais da Educação
(Fundeb) deve ampliar o acesso de
crianças de famílias de baixa renda à educação
infantil, na expectativa do governo.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) divulgados ontem (28) mostram que apenas 9,9% de crianças entre 0 a 3 anos de idade que vivem com famílias cujo rendimento mensal per
capita é de
até meio salário mínimo freqüentavam
creches em 2006.
Na avaliação
da secretária de Educação Básica do
Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar, os
números refletem a falta de uniformidade nas políticas
para a primeira infância. Até meados de 2000, acrescenta, as
questões relacionadas a crianças nessa faixa etária estavam sob responsabilidade governamental da área da
assistência social e não no âmbito da educação.
“Esse debate sobre
o direito à creche ainda é muito recente no Brasil. Sobre os direitos das crianças de forma geral,
por exemplo, o Estatuto da Criança e do Adolescente [ECA] só
foi criado em 1990”.
O assessor do Fórum
Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, José
Fernando Silva, diz que essa transferência de
responsabilidades ainda não foi concluída e que, ainda
hoje, os recursos destinados à construção de creches,
por exemplo, não estão concentrados na pasta
governamental da educação.
“É preciso
compreender a educação como um direito humano e não
como uma ação específica da assistência
social”.
Silva e Pilar acreditam que a inclusão das
creches no âmbito do Fundeb deve modificar essa realidade,
porque vai permitir o agrupamento e a melhor distribuição
dos recursos.
Entretanto, o
representante do fórum reconhece que, mais que medidas
quantitativas e imediatas – como a construção de
novas creches –, é preciso garantir investimentos a longo
prazo para reverter a relação direta entre baixa renda
e pouco acesso a direitos fundamentais.
“Não
podemos continuar aceitando que crianças filhas de famílias
pobres tenham seus direitos negados. Tem que haver geração
de políticas de emprego e renda para que essas famílias
possam garantir o acesso de suas crianças às creches”.
De acordo com a
representante do ministério, o governo tem
investido em programas de formação de professores para
a educação infantil e na construção de
creches com prioridade no atendimento das populações
de baixa renda.
Segundo o MEC,
o Fundeb aplicará R$ 48 bilhões na educação
básica em 2007. Esse valor inclui investimentos em creches para crianças de 0 a 3 anos de idade e em pré-escolas, que
atendem crianças entre com idade entre 4 e 6 anos.
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