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Brasília - O PMDB afastou hoje (4)
os senadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE) das vagas que
lhe cabem na Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) que, junto com a Comissão de Assuntos Econômicos
(CAE), são as mais poderosas da Casa. Tanto Jarbas Vasconcelos
quanto Simon são dissidentes do partido e opositores do
governo federal. Para as vagas, o líder do partido, Valdir
Raupp (RO), indicou os senadores Almeida Lima (SE) e Paulo Duque
(RJ), ambos alinhados com o governo e com o presidente da Casa, Renan
Calheiros (PMDB-AL).
Valdir Raupp afirmou, por telefone, que a
decisão foi tomada pela bancada e tem como objetivo garantir
maioria eleitoral para o governo em postos chaves do Senado, onde a
base aliada não tem maioria folgada. "Não é
nada pessoal, mas uma orientação da bancada. A bancada
faz parte de uma coalizão e é orientada a votar com o
governo", afirmou o líder do PMDB.
Jarbas Vasconcelos
tomou conhecimento da decisão de seu líder pela
televisão, quando assistia aos pronunciamentos feitos em
plenário pelos senadores e transmitida ao vivo pela TV Senado.
O parlamentar responsabilizou o presidente do Senado pela decisão
de afastá-lo da CCJ. Vasconcelos disse, ainda, que ele
pretende conversar com Pedro Simon analisarem a reação
a atitude do partido.
"Isso revela o
descaramento, o baixo nível que existe no Senado. Um senador [Renan Calheiros] tentando se sustentar numa cadeira a todo custo, se
lixando e não se importando com as tradições e a
história do Senado da República", afirmou o
peemedebista pernambucano.
Já Pedro Simon,
considera que, além de uma manobra da "tropa de choque"
de Renan, a decisão tem a ver com uma estratégia do
governo para garantir a aprovação da proposta de emenda
constitucional que prorroga a CPMF até 2011. "Eles
(governo) acham que eu e o Jarbas votaríamos contra e eu não
tinha decidido nada ainda", afirmou Simon.
O senador gaúcho
acrescentou que ficou surpreso pela atitude num dia em que o Senado
fez uma sessão plenária em homenagem aos 15 anos de
morte do deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP), considerado a
maior liderança do partido. "Essa gente já perdeu
o conceito das coisas. Estavam no governo do Sarney, foram para o
governo do Collor, depois do Fernando Henrique e agora estão
no [governo] Lula. Para eles vale tudo".
A decisão do
líder peemedebista causou reações também
fora do PMDB. Em nota, o presidente da Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ), Marco Maciel
(DEM-PE), afirmou que a atitude lhe "surpreendeu" uma vez
que foram afastados senadores "ilustres e operosos" do PMDB
na comissão. "Minha estranheza
é tanto maior quando se sabe que não está em
harmonia com a tradição da Casa caracterizada pelo
respeito as opiniões dos parlamentares", acrescentou.
O senador Cristóvam
Buarque (PDT-DF) foi mais radical. Ao tomar conhecimento da decisão,
ainda em plenário, foi a tribuna e defendeu uma renúncia
coletiva dos senadores que ocupam cargos nas comissões em
protesto a decisão peemedebista. Ele pretende conversar com
senadores de outros partidos, na próxima semana, para discutir
uma reação coletiva. Por telefone, foi incentivado pelo
líder de seu partido, Jefferson Peres (AM).
Buarque ressaltou que o
PDT não adotará nenhuma medida "quixotesca"
mas julga necessária a reação dos senadores de
todos os partidos. "Deram um tapa na cara do Brasil. Hoje, deram
um golpe. Amanhã, vão cuspir na cara da gente se não
tomarmos uma posição firme", afirmou o pedetista.
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