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Brasília - A busca por melhores
condições políticas para concorrer nas próximas
eleições municipais proporcionou a mudança de
partido de milhares de vereadores no Brasil. Ainda sem um balanço
fechado sobre a situação em todos os municípios
do país, o contingente pode variar entre 8 mil a 10 mil
vereadores. As estimativa são do consultor jurídico da
União de Vereadores do Rio Grande do Sul, José
Augusto Rodrigues, e do doutor em direito e ex-professor da
Universidade de São Paulo (USP) Renato Ventura
Ribeiro.
Ambos aguardam que a decisão do
Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a fidelidade partidária
cause uma “guerra jurídica” que não deve acabar
antes das próximas eleições, o que poderia
deixar de ter efeito sobre os parlamentares. Segundo o professor
Renato Ventura Ribeiro, a proximidade do fim da legislatura e o
caminho mais longo para que um partido recupere o mandato pode fazer
com que muitos vereadores que trocaram de partido não sejam
atingidos pela decisão tomada ontem pelo Supremo Tribunal
Federal, que determinou que os mandatos pertencem aos partidos, e não
aos parlamentares.
Para retomar o mandato de um vereador que
deixou o partido, segundo o professor, a legenda terá que
pedir o mandato para a Justiça Eleitoral de primeiro grau, com
possibilidade de recurso no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). “No
caso dos vereadores, o fim desse processo talvez coincida com o final
do mandato, que termina daqui a um ano. Se a justiça eleitoral
demorar, pode ter vereadores que tenham a decisão concluída
depois de terminar o mandato”, explica Ribeiro.
A entidade
representante dos vereadores do Rio Grande do Sul considera que a disputa vai
começar na própria Câmara Municipal. "O que
vai acontecer a partir de amanhã com a decisão do
Supremo Tribunal Federal de interpretar que os mandatos pertencem aos
partidos é uma guerra de partidos entrando com recursos nas
Câmaras de Vereadores reivindicando os mandatos dos vereadores
que trocaram de legenda a partir de 27 de março deste ano",
diz o consultor jurídico José Augusto
Rodrigues.
Segundo ele, o rito para retomar a vaga será
primeiro solicitar ao presidente da Câmara o cargo, depois
recorrer à Justiça comum para reaver a vaga e, em
seguida, poderá haver novo recurso ao Tribunal de Justiça
do estado. "Se o presidente da Câmara negar o pedido do
partido político, o partido vai recorrer ao juiz da Comarca.
Se esse negar o pedido da legenda, o partido vai recorrer ao Tribunal
de Justiça, que é a instância superior no caso
dos vereadores", explica. A previsão do consultor
jurídico, é que os processos sejam lentos e levem muito
tempo para serem julgados.
O professor Renato
Ventura Ribeiro avalia que o Tribunal Superior Eleitoral, ao analisar
cada caso de infidelidade partidária, deverá levar em
conta casos de perseguição política dentro do
partido, que possam ter motivado a saída de um parlamentar da
legenda. Também deve ser avaliada a hipótese de o
partido ter mudado sua posição política,
deixando o parlamentar desconfortável dentro da legenda.
“Neste caso, o parlamentar deve ficar fiel aos eleitores ou ao
partido? O parlamentar que sai de um partido porque o partido mudou
de orientação não pode ser punido”, avalia.
Para Ribeiro, a decisão de punir apenas os
parlamentares que mudaram de partido depois do dia 27 de março,
quando o TSE respondeu a uma consulta em favor dos partidos, foi
acertada, pois antes os parlamentares não sabiam que a mudança
de partido poderia causar a perda do mandato. “Há um
princípio em direito que não se pode condenar a pessoa
por uma coisa que ela saiba que é proibido. Antes todo mundo
mudava de partido, por isso, quem mudou sabia que isso não
daria problema”, explicou.
Já o consultor da União
dos Vereadores do Rio Grande do Sul discorda da decisão tomada
pelo Supremo. "Para mim a decisão é equivocada. O
artigo 55 da Constituição Federal não diz que o
parlamentar que mudar de partido perde o cargo. A Constituição
e a legislação não fala em nenhum lugar que quem
mudar de partido perde o cargo. Não existe fidelidade
partidária no Brasil. Então a decisão é
completamente equivocada", avalia. De acordo com ele, de 27 de
março para cá já mudaram de partido em todo o
país cerca de 1.400 vereadores e desde o inicio da legislatura
cerca de 8 mil trocaram de legenda.
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