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Brasília - Durante o período de transição do sistema
analógico para o digital, que deve durar dez anos, cada rádio vai ocupar o
dobro de espaço, o que já utiliza hoje para transmissão analógica e outro para
a transmissão digital. Como há muitas rádios, “não há freqüências disponíveis”,
diz o superintendente de Serviços de
Comunicação de Massa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ara
Apkar Minassian. Ou seja, não há espaço sobrando. A situação exige um sistema que “use a mesma freqüência do analógico para a
transmissão digital. Com isso, ficamos restritos a dois sistemas”, afirma o
superintendente. Os dois sistemas testados pelo Brasil são o norte-americano In Band
– On Chanel (Iboc) e o europeu Digital Radio Mondiale (DRM). As rádios em ondas
médias (AM) são contempladas pelos dois sistemas. No entanto, o norte-americano não
faz transmissões em ondas curtas (OC) e, o europeu, por sua vez, não contempla
a FM.
As OCs são necessárias porque só elas alcançam regiões remotas do país, como
a Amazônia. As rádios OC chegam também a outros países da América. Podem ser
ouvidas por brasileiros fora do país e também serve de comunicação entre as
nações em casos extremos, como uma guerra.
Os demais sistemas existentes usam o
satélite, hipótese descartada pelo Brasil. “Imagina ter que equipar os rádios
dos veículos ou os rádios de bolso para receberem sinal por satélite. Isso muda
a vida do brasileiro e, durante o período de transição tenho que garantir que
as pessoas não mudem de equipamento”, adianta o
superintendente. Segundo ele, outra vantagem para o ouvinte é que, no sistema
europeu, as rádios ficariam na mesma freqüência que ocupam hoje. Como não há um único sistema que atenda a
todas as necessidades brasileiras, o Ministério das Comunicações vem afirmando
que a solução pode ser a adoção dos dois sistemas. Inicialmente, a intenção era
indicar o melhor modelo ainda este mês. Mas, devido à falta de conclusões dos
testes, o ministro Hélio Costa anunciou que esperaria. O ministério foi
procurado, mas Hélio Costa não se manifestou devido a problemas de agenda.
Para a decisão final sobre qual sistema o
Brasil vai escolher, entram ainda fatores econômicos e estratégicos. O ministério,
com base nos testes, apresentará um relatório final com a indicação de qual
sistema é o mais apropriado para o país. O relatório será enviado à Casa Civil
e é o presidente da República quem anuncia a decisão final.
Um conselho consultivo foi criado para auxiliar o
Ministério das Comunicações. O grupo é formado por representantes da União, do setor
de radiodifusão, da indústria, dos usuários, do meio acadêmico e também dos
anunciantes.
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