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Curitiba - O presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional (Consea), Chico Menezes, afirmou hoje (11) que 9 milhões de
brasileiros ainda vivem em situação de desnutrição, num universo de 180 milhões
de pessoas.
“Atualmente, 5% da
população brasileira ainda é desnutrida, mas, em comparação com os 9% que existiam há 20 anos, isso pode ser considerado um progresso”, disse Menezes, ao participar do encerramento do 3º Simpósio Nacional de Geografia da Saúde e do 2º Fórum Internacional de Geografia da Saúde, na Universidade Federal do Paraná.
O dirigente do Consea atribui essa redução a uma mudança de
mentalidade, tanto da
população quanto do governo, que tem priorizado políticas públicas nesse setor.
Como exemplo, citou o Bolsa Família, que tem mostrado ótimos resultados no acesso
da população aos alimentos. “[O programa] Permite que 11
milhões de famílias pobres exerçam
o direito a pelo menos três refeições por dia, mas isso não nos isenta de
preocupação com o que essas pessoas estão comendo.”
Menezes lembrou que o Consea defende a necessidade de uma política
nacional de educação alimentar, principalmente nas escolas e ressaltou que a adequação nutricional precisa
acompanhar as políticas que permitem o acesso à
alimentação.
“O brasileiro não está se alimentando bem. Há insuficiência
de ferro, com altos índices de anemia em diferentes camadas sociais, o que
demonstra má alimentação. Há também deficiência de cálcio e suas implicações”, disse Menezes. Ele criticou a propaganda de alimentos, pedindo cuidado "principalmente com o que as crianças recebem de incentivo através da
publicidade. Alegam que mexer no
direito à publicidade é negar a
liberdade, mas ela é atingida quando o que se mostra é nocivo”, afirmou.
O simpósio e o fórum realizados em Curitiba tiveram como tema central a relação entre a geografia, a medicina e as demais ciências do campo da saúde.
Segundo o professor da Francisco Mendonça, da Universidade Federal do Paraná, um dos coordenadores dos dois evento, temas como as implicações do ambiente na saúde
humana, a situação das políticas públicas e
questões relativas à fome foram analisados sob o enfoque da
geografia.
Mendonça lembrou
que as doenças ocorrem em lugares precisos, respondem ao ambiente,
principalmente as transmitidas por vetores. “Onde e por que essas doenças
acontecem foram mostrados por uma
comissão científica, que apresentou 130 trabalhos nos três dias dos eventos. Não se pode só tratar, tem que prevenir,
interferir na qualidade de vida das pessoas - todos os trabalhos mostraram a
importância da prevenção”, enfatizou o professor.
Outro tema em destaque foi a dengue. De acordo com o professor, cerca de 100 mil pessoas são
afetadas pela dengue todos os anos, em todo o mundo, e em torno de 20 mil
desenvolvem a doença, para a qual não existem vacinas. "A pesquisa é um grande investimento no controle da doença. Por
exemplo, no Brasil estamos trabalhando com a possibilidade de que ,além do Aedes aegipty,
que é um mosquito urbano, exista outro vetor, o Aedes
Albopictus, que tem hábitos
rurais, vive na mata.”
Mendonça ressaltou que há um grande número de notificações de
casos autóctones (contraídos onde vive a pessoa infectada) em locais em que não se constata a presença do Aedes aegipty e prolifera o Aedes
albopictus.
Os participantes dos dois eventos também destacaram a miserabilidade das pessoas que sofrem com doenças como a dengue,
que não têm acesso ao tratamento adequado. "Então, acabar com a pobreza, a
miséria, é o desafio primordial, mostraram os trabalhos aqui apresentados“, concluiu o professor.
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