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11 de Outubro de 2007 - 19h12 - Última modificação em 11 de Outubro de 2007 - 19h19


Manter crianças em abrigos é intervenção do Estado em famílias pobres, diz educador

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

 
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Antonio Cruz/ABr
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante a festa que marcou o lançamento de um conjunto de ações para reduzir a violência contra crianças e adolescentes. Ao lado, o ex-interno da Febem Roberto Silva
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante a festa que marcou o lançamento de um conjunto de ações para reduzir a violência contra crianças e adolescentes. Ao lado, o ex-interno da Febem Roberto Silva
Brasília - O Programa Social Criança e Adolescente, lançado hoje (11) pelo governo federal, prevê uma série de medidas para reduzir a permanência de crianças em abrigos. Por meio do projeto Caminho Para Casa, a partir do ano que vem, famílias de crianças abrigadas devem receber cerca de R$ 1,5 mil para reestruturação financeira e manutenção dos filhos em casa.

Abrigado durante a infância e adolescência, o doutor em pedagogia e professor da Universidade de São Paulo (USP) Roberto da Silva, participou do grupo que elaborou o projeto. Hoje, em um discurso emocionado ao lado presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, o educador defendeu a efetiva aplicação de medidas que reduzam o número de crianças em abrigos e unidades de internação para jovens em conflito com a lei.

"Erros judiciais, de execução de políticas que aconteciam há 50 anos, hoje continuam acontecendo que é a intervenção do Estado nas famílias pobres, retirando crianças e colocando em abrigos até completarem a maioridade ou darem adoção para outras famílias, sobretudo famílias estrangeiras”, criticou Roberto da Silva.

Com apenas dois anos, ele e dois irmãos passaram a morar em um abrigo depois que a mãe foi internada para tratamento médico. Outro irmão do educador, de cinco anos, foi adotado por uma família estrangeira. "Assim se destrói uma família. Os filhos cresceram sem conhecer os pais, separados dos irmãos.”

A falta de assistência adequada no abrigo levou Roberto da Silva a cometer infrações. Ele passou a adolescência entre a rua e a Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem). Para ele, superar a violência foi um esforço pessoal.

“Foi basicamente um esforço próprio, sobretudo a indignação de não aceitar certas situações. Hoje, existem muito mais organizações da sociedade civil atentas para o problema e iniciativas do poder público. A questão é encontrar os caminhos para se utilizar esses programas.”

No discurso feito durante o lançamento do Programa Social Criança e Adolescente, o presidente Lula destacou a história de Roberto da Silva. "O Roberto nasceu com tudo para não dar certo. Nasceu moreno, na verdade nasceu um negrão simpático. Eu imagino que quando criança era um negrinho muito bonito, gordinho, cheio de graça", disse Lula.

"Ele poderia ter virado um marginal, ele poderia ter ficado mais violento. Mas, em algum momento da vida dele, a coisa boa dentro dele venceu qualquer outra adversidade e fez este menino ir para a escola estudar. O diploma de um negro que nasceu na miséria, abandonado aos dois anos de idade, que virou doutor na universidade de São Paulo, é um diploma mais valioso do que muitos outros diplomas que são tão iguais neste país."



 

  •   VÍDEO

    Adoção de crianças

    No Brasil, 80 mil crianças vivem em abrigos e dessas, 70 mil foram deixadas pelos próprios pais. Mudar o destino dessas crianças é o objetivo da Campanha de Adoção, lançada pela Associação dos Magistrados Brasileiros

    Adoção 3

    Homens ou mulheres maiores de 18 anos, independentemente do estado civil, podem adotar crianças, desde que ofereçam ambiente familiar adequado. Os critérios estão no Estatuto da Criança e do Adolescente

    Adoção 4

    A situação de crianças que vivem em abrigos à espera de adoção e a importância da convivência familiar são mostrados em campanha da Associação dos Magistrados Brasileiros. Mude um destino é o tema da campanha

 

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