Os países
membros do Conselho de Segurança das Nações
Unidas (ONU) e os que integram a missão de paz no Haiti
decidiram prorrogar a atuação até dia 15 de
outubro de 2008, com vistas a renová-la por novos períodos.
O tema foi discutido nesta semana por diplomatas e representantes da
ONU, o que é uma prévia da reunião do Conselho
de Segurança. A decisão será formalizada na
segunda-feira (15), último dia para renovar o prazo da força
de paz no Haiti, que está no país mais pobre das
Américas desde junho de 2004, após a crise política
que derrubou o ex-presidente Jean Bertrand Aristide.
Em entrevista à
Agência Brasil, o representante da missão do Brasil na
ONU, ministro Paulo Tarrisse, a renovação dá
“tranqüilidade” para a continuidade do trabalho. “Antes da
reunião do Conselho de Segurança propriamente dito, há
uma reunião entre o secretariado e os amigos do Haiti, da qual
o Brasil faz parte, onde são trocadas figurinhas sobre a
missão de paz. E o resultado foi muito bom. A missão
será renovada pelo período de um ano. Ou seja, essa
questão agora da renovação do mandato só
se colocará em outubro de 2008, o que dará um ano de
tranqüilidade para a missão de paz para desenvolver seus
trabalhos no terreno”, disse.
Atualmente, o Brasil
não integra o Conselho de Segurança. Os representantes
latino-americanos das cadeiras rotativas são Panamá e Peru. São os
interlocutores diplomáticos do Brasil sobre o tema. “A gente
mantém um contato muito grande com eles no sentido de
manifestar nossas opiniões e visões sobre o Haiti, além
de Argentina, Chile e demais países sul-americanos também.
A Minustah congrega um misto de tropas de vários países,
sobretudo de países da região. Então, nós
temos interesse no sucesso da missão”, afirmou Tarrisse. Um
rascunho da resolução do Conselho de Segurança
foi discutido e aprovado na reunião prévia.
Houve pequenas mudanças
no perfil da missão. Uma delas será a redução
de 140 soldados do limite máximo do contingente militar – de
7.200 para 7.060 – e um aumento no teto do contingente policial
para 2.091. Essa era uma das recomendações do último
informe do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “Na
prática, isso não afetou o componente militar, porque
nunca se chegou a 7.200. Na questão policial, foi aumentada
porque acredito que o problema hoje é muito mais de [garantia
de] lei e ordem. A ONU pediu mais policiais porque eles têm uma
interação maior com a população e têm
outro tipo de finalidade em relação ao componente
militar”, explicou o diplomata brasileiro.
O rascunho da resolução
do Conselho de Segurança, que será finalizado na segunda-feira (15), convida os países-membros da
ONU a adotar medidas, em conjunto com a Minustah, para enfrentar o
tráfico de drogas, armas e outras atividades ilegais. Também
há um pedido à missão para reforçar,
junto à Polícia Nacional do Haiti, um a fiscalização
das fronteiras marítimas e terrestres do país.
Na discussão
prévia sobre a renovação do mandato da Missão
de Estabilização de Paz das Nações Unidas
no Haiti (Minustah), os representantes chineses defendiam seis meses
de mandato por conta de uma questão política. O Haiti
mantém relações diplomáticas próximas
com Taiwan, região administrativa que têm conflitos com
a China, além de abrigar movimentos independentistas. O
diplomata brasileiro explica que a situação gera,
“evidentemente”, um “certo desconforto”. “Agora, ao mesmo
tempo, a China mantém um componente policial muito importante
no Haiti”, reiterou.