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Brasília - O sistema de
monitoramento do governo federal registrou aumento de 107% dos
índices de desmatamento na região amazônica, no
estado do Mato Grosso, entre junho e setembro, em comparação
com o mesmo período do ano passado. Apesar de dizer que o
acréscimo não é muito significativo em número
de hectares, o secretário executivo do Ministério do
Meio Ambiente (MMA), João Paulo Capobianco, reconheceu a
necessidade de providências imediatas para conter o avanço
da prática ilegal.
Segundo ele, o governo
federal já iniciou ação emergencial, com
inspeções realizadas por equipes técnicas nos
estados onde foi constatado aumento – Rondônia e Acre, além
de Mato Grosso.
O sistema Detecção
de Desmatamento em Tempo Real (Deter) utiliza sensores com alta
freqüência para informar periodicamente o governo sobre
áreas desmatadas e orientar a adoção de medidas
de contenção.
“Essa ligeira
alteração na curva, que eleva o desmatamento em alguns
pontos, tem que ser vista como um sinal de que é preciso
verificar onde está ocorrendo e quais são os agentes
motivadores. Assim será possível corrigir os
instrumentos de fiscalização e controle, evitando o
aumento efetivo da taxa anual de desmatamento”, disse Capobianco,
em entrevista coletiva.
O relatório
anual de desmatamento divulgado pelo MMA começa sempre em 1º
de agosto de um ano e termina em 31 de julho do seguinte. O último,
de 2007, traz
a estimativa de 9,6 mil quilômetros quadrados de áreas
desmatadas, o que representaria a menor taxa desde 1988. Esse
número ainda será consolidado.
Segundo Capobianco,
três fatores contribuíram para elevar o corte de
vegetação no segundo semestre deste ano: a seca
prolongada, o aumento do preço internacional da soja e o da
carne bovina. Ele comentou que o cenário estimula produtores a
tentarem ganhar novos espaços, e a proximidade das eleições
municipais (que serão realizadas no ano que vem) torna a
fiscalização mais frágil.
“Ao se analisar o
histórico do desmatamento desde 1988, sempre em ano de eleição
a prática aumentou, com exceção de 2006. Na
eleição municipal observamos que há muita
pressão e interesse em atender vontades de certas atividades
econômicas”, disse Capobianco.
Paralelamente ao plano
emergencial, o MMA pretende concluir em fevereiro de 2008 um plano de
controle do desmatamento para os próximos quatro anos. O
objetivo é investir em alternativas econômicas para
gerar emprego e renda na região, mantendo a floresta em pé.
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