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Brasília - Em parceria com a
Universidade de Brasília (UnB), a Radiobrás realizou
hoje (17) testes na Rádio Nacional AM de Brasília para
o funcionamento do sistema europeu de rádio digital com o
padrão Digital Rádio Mundiale (DRM).
O novo sistema digital
vai permitir a melhoria na qualidade do som, que será igual ao
de uma rádio FM estéreo. Outro beneficio é a
economia de energia na capacidade de transmissão. Atualmente,
com o sistema analógico, a Rádio Nacional AM transmite
sua programação com 50 quilowatts de potência.
Com o sinal digital, o mesmo alcance de transmissão poderá
ser obtido com energia 33 vezes menor, ou seja, 1,5 quilowatts de
potência.
Segundo o chefe do
Departamento de Manutenção da Radiobrás, Cláudio
Silva Paula, o novo sistema torna o som "limpo". Para ele,
o avanço será significativo. “É um grande
passo. Em vez de você colocar uma emissora em cada capital, se
você colocar um transmissor digital de alta potência aqui
em Brasília, você cobre todo o território
nacional, com qualidade digital”, explica.
Hoje existem quatro
tipos de sistema de rádio digital utilizados por diversos
países. O sistema Iboc, norte-americano, está sendo
testado pela maioria das emissoras, mas a Radiobrás, segundo
Cláudio Paula, optou pelo DRM porque o padrão permite a
utilização simultânea dos sinais analógico
e digital nas freqüências existentes.
Além disso, o
sistema DRM só pode ser aplicado em ondas médias (OM) e
em ondas curtas (OC), não podendo ser estendido para a frequência
modulada (FM), que utiliza o Iboc. De acordo com Cláudio
Paula, apesar dos benefícios do sistema DRM, alguns ajustes
ainda precisam ser analisados, como as freqüências das
emissoras que terão de ser reajustadas para que não
haja interferência na sintonia uma da outra.
O professor do
Departamento de Engenharia Elétrica da UnB Lúcio
Martins considera importante o convênio entre a Radiobrás
e a universidade. “Neste momento em que está para se tomar
uma decisão sobre qual sistema de rádio digital o
Brasil adotará, essa parceria permite a realização
de testes com um dos sistemas”, afirma. “O resultado desses
testes servirão de subsídio para essa tomada de
decisão.”
Segundo o professor,
independentemente do sistema adotado, haverá um custo elevado
para os radiodifusores, já que será necessário
adquirir novos equipamentos como transmissores. “Como toda nova
tecnologia, no começo os equipamentos começam com
preços muitos altos, mas o valor cairá com o tempo”,
explica.
Martins esclarece que
os ouvintes perceberão a diferença na qualidade do som,
mas será necessário ter um aparelho de rádio
digital. “Depende muito do receptor [rádio], porque não
adianta a emissora transmitir um áudio de boa qualidade e o
receptor ser ruim”, diz.
O professor estima que,
no início do ano que vem, o ministro das Comunicações,
Hélio Costa, definirá o sistema digital de rádio
a ser adotado no Brasil.
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