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Brasília - A Polícia Federal (PF) desmontou hoje (18) uma organização
criminosa que extraía e exportava ilegalmente para os Estados Unidos
madeiras nobres, principalmente jacarandá-da-Bahia,
utilizada na fabricação de instrumentos musicais. Dois
policiais militares faziam parte do grupo. Ao todo, 23 pessoas foram
presas. A PF não divulgou o nome do líder da
organização, que está preso.
Segundo
a chefe da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico
da PF em Minas Gerais, Tatiana Torres, os presos
podem responder por dois crimes ambientais: manter estoque de madeira
irregularmente e retirar espécies em extinção de
floresta de domínio público. E também por cinco
outros crimes, chegando a 34 anos de reclusão.
De
acordo com as tarefas na organização, eles responderão por contrabando
qualificado, lavagem de dinheiro, uso de documentação
falsa, falsificação de documentos e desobediência,
no caso do líder do grupo, que “tomou conhecimento de que o galpão
havia sido lacrado pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas
Gerais e ainda assim mandava os empregados tirarem o lacre e
comercializassem a madeira que estava interditada”, informou a delegada, que presidiu as investigações.
Tatiana Torres disse também que o trabalho dos dois policiais militares era o de avisar quando
haveria fiscalização no galpão onde era estocada
a madeira. O grupo também cortava a madeira sem documentação
legal e utilizava documentos e notas "frias" para fazer o transporte
a outros estados e acobertar parte da carga, com valor inferior ao
previsto.
A PF estima que nos últimos quatro anos mais de 13
toneladas da madeira tenham sido exportadas ilegalmente. O jacarandá-da-Bahia, por estar em extinção, tem sua exportação proibida.
O principal alvo da
quadrilha era a Mata Atlântica e a extração se
concentrava, principalmente, no sul da Bahia. Mas era feita também em outros cinco estados – Minas Gerais, Espírito Santo, São
Paulo, Rio de Janeiro e Piauí – e no Distrito Federal. A
madeira era exportada do Espírito Santo e de Minas
Gerais, pelo correio ou em aviões.
Após cinco meses de investigações, a operação batizada de Wood Stock foi coordenada pela PF de Minas Gerais e
ocorreu simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos, onde a agência de repressão aos crimes ambientais, US
Fish and Wildlife Service, monitorou as remessas de madeira e
executou os mandados judiciais na cidade de Massachusetts.
No Brasil,
350 agentes federais participam da operação com apoio
de 50 policiais militares de Minas Gerais e do Instituto Estadual de
Florestas.
A
exploração do jacarandá-da-Bahia está
listada na Primeira Convenção sobre Comércio
Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo
de Extinção (Cites), que regulamenta a exportação
e importação e facilitou a cooperação
entre os dois países.
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