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Brasília - A
Agência Nacional de Petróleo (ANP) anunciou, nesta
semana, que vai investir R$ 64 milhões no Acre em
levantamentos sobre o potencial da área para exploração
de petróleo e gás natural. A atividade geraria
empregos e traria renda ao estado, dizem os defensores da iniciativa. Mas os danos ao meio ambiente
são questionados.
A
Região do Rio Juruá, que engloba municípios do Acre e Amazonas, é uma das
localidades onde a ANP deve realizar pesquisas para descobrir áreas
ricas em petróleo e gás natural que possam ser
exploradas.
“É
necessário aumentar a pesquisa na região para descobrir
o potencial petrolífero dos nove estados que compõem a
Amazônia”, afirmou o superintendente de Controle da ANP,
Getúlio Silveira Leite, em audiência realizada na Comissão da Amazônia, Integração
Nacional e de Desenvolvimento Regional da Câmara dos
Deputados para discutir a extração de petróleo e
gás natural em toda a região amazônica.
O
secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente,
João Paulo Capobianco, diz que até agora não foi anunciado
nenhum estudo ambiental para avaliar as condições em que essa
atividade deve ser realizada para minimizar os danos. Mas acha possível
explorar petróleo sem prejudicar a natureza.
“É
necessário verificar em que condições essa
atividade seria feita, em que escala e em que áreas. Em tese,
existem hoje metodologias e tecnologias que permitem a atividade sem
danos ambientais. Há mecanismos e procedimentos que permitem
que se dê em condições ambientalmente adequadas”,
explica.
Atualmente,
existem cinco pontos de exploração de gás
natural na bacia dos rios Solimões (onde desagua o rio Juruá)
e Amazonas. Só no ano passado, a exploração de
gás e petróleo no município de Coari, no
Amazonas, rendeu à prefeitura R$ 43 milhões. “O
governo federal, dentro do PAC [Programa de Aceleração
do Crescimento], está construindo o Gasoduto Coari-Manaus para
levar o gás natural. Acreditamos que essa possa ser uma nova
zona franca”, diz o deputado Marcelo Serafim
(PSB-AM).
O
ganho financeiro da prefeitura com a exploração de
petróleo ocorre por meio dos investimentos no potencial
energético da região, cobrança de royalties
de petróleo e gás natural e recursos da Contribuição
de Intervenção no Domínio Econômico
(Cide-Combustíveis) incidente sobre a importação
e a comercialização de gasolina, diesel,
querosene, óleos combustíveis (fuel-oil) e gás
liquefeito de petróleo (GLP).
No
Acre, a Federação das Indústrias do estado já
declarou ser favorável à exploração de
petróleo e gás natural. De acordo com a entidade,
os benefícios para o estado são inúmeros,
principalmente a geração de emprego e a
perspectiva de um investimento da
ordem de R$ 27 milhões.
Na
região do Juruá, há três unidades de
conservação ecológicas. Para o deputado Marcelo Serafim, a
extração, por sua importância, deve ser feita
inclusive nestas áreas se for preciso. “É
justo que o povo morra de fome por conta da conservação?”,
questiona.
“O desenvolvimento
traz dano. Trouxe dano a São Paulo, a Minas, ao Rio e a todos
os outros cantos do nosso país. Destruiu a Mata Atlântica,
acabou com grande parte do Pantanal e não é isso que
queremos, nem que defendemos. Agora, se o governo brasileiro e o
mundo querem a Amazônia preservada, o mundo tem que dar condições
para que se preserve a Amazônia. Essas condições
não são dadas”, afirma o parlamentar.
A matéria foi alterada para correção de informação (o gasoduto estava identificado como viaduto).
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