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Brasília - A
extração de petróleo e gás natural na
região do Rio Juruá, no Acre, está longe de ser um consenso na região. Enquanto
o governo e alguns deputados apontam a oportunidade de
desenvolvimento com geração de
emprego e renda, moradores e organizações da sociedade civil se preocupam com
possíveis danos ambientais e, principalmente, o deslocamento de populações
tradicionais.
“Elas
[populações] serão diretamente afetadas e não sabemos ainda para
onde serão levadas e como se dará a reparação
a essas famílias”, diz a coordenadora
do Grupo
de Trabalho Amazônico (GTA) no Acre, Joci Aguiar.
Na
região do Juruá, há 12 comunidades
indígenas de várias etnias. A Constituição
não permite sondagem para verificar a existência
de petróleo em áreas indígenas, mas existem no
Congresso propostas para regulamentar tais atividades.
De
acordo com o coordenador do Conselho Indigenista Missionário
(Cimi) no Acre, Lindomar Padilha, os índios acreanos são
contrários a essas propostas parlamentares. “Eles soltaram
uma nota, no início do ano, contra a exploração
de petróleo porque não acreditam que a renda gerada
pelos prováveis royalties do petróleo compensem
os danos”.
Além
do documento, diz ele, há “toda consciência de que não é
possível mais a humanidade usar combustíveis de origem
fóssil em uma sociedade moderna porque eles emitem uma
quantidade imensa de gases poluentes na atmosfera e está aí
o problema do aquecimento global”.
Padilha diz que a comunidade indígena local discorda "totalmente" da idéia
"por causa da experiência trágica que
temos em Coari”, conta. Segundo ele, a iniciativa de explorar combustíveis fósseis na cidade amazonense causou vários danos
ambientais. “Os dutos que tiveram de construir são como uma
estrada aberta no meio da mata, que depois não pode ser
reflorestada porque embaixo existem os tubos condutores”.
Já o deputado federal Marcelo
Serafim (PSB-AM) prefere lembrar que a experiência em Coari “rendeu à prefeitura, só no ano
passado, R$ 43 milhões”. Segundo
ele, “o argumento de que isso poderá trazer danos
ecológicos não procede. Temos em Coari uma riqueza
extraordinária que hoje se encontra desenvolvida e próspera
e isso tem sido fundamental para o estado do Amazonas”.
A
geração de empregos, segundo Lindomar Padilha, não
beneficiou a comunidade indígena de Coari.
Em um primeiro momento, diz, os índios trabalharam na abertura
de clareiras, "o que não precisa de profissionais muito
qualificados”. Depois, “é exigido mão-de-obra
qualificada, como um soldador ou um operador de máquinas. Aí,
a mão-de-obra local já não serve mais e é
dispensada”. Além disso, segundo
ele, a contratação de profissionais de fora fez aumentar a exploração sexual.
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