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Brasília - Quase
90 dias após assumir o Ministério da Defesa com a missão de pôr
fim à chamada crise no setor aéreo, o ministro Nelson Jobim ainda tem que responder por atrasos e cancelamentos de vôos. Antes de participar de reunião no Quartel General do Exército, Jobim disse em entrevista que não compete a ele avaliar o desempenho no ministério.
"Quem tem de fazer um balanço são os outros, eu não tenho tempo para fazer isso, mas acho que estou cumprindo as metas que estabeleci", afirmou, depois de indagado, ainda, sobre indícios de
corrupção na Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária
(Infraero) e a permanência de Milton Zuanazzi à frente da Agência
Nacional de Aviação Civil (Anac). Jobim
admitiu que a construção de um novo aeroporto no estado de São Paulo
teve de ser adiada devido à procura pelo lugar mais adequado. "Estamos
examinando os sítios. Não podemos anunciar, porque se o identificarmos os preços explodem [devido à especulação
imobiliária]".
Segundo
Jobim, o aeroporto terá de ser construído, mas não como uma solução
imediata. Para isso, ele disse apostar na construção da terceira pista do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP): "Na semana
que vem, vamos discutir qual o local mais conveniente para sua
construção".
O
ministro atribuiu ao mau tempo os atrasos e cancelamentos de vôo
registrados desde o final de semana, com reflexos sentidos ainda hoje. "Foram circunstanciais, devido ao mau tempo. Houve um
problema de comunicação, mas também decorrente de mau tempo", disse.
Sobre a permanência do presidente da Anac no cargo, Jobim
explicou que "o problema é que ele [Zuanazzi] só poderá sair no momento em que três diretores tiverem sido aprovados". E acrescentou: "Já temos
um [o brigadeiro Allemander Jesus Pereira Filho, nomeado hoje] e mais dois serão sabatinados no Senado. Só após isso iremos examinar a
questão".
O
ministério da Defesa já indicou ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva outros quatro nomes para ocupar os cargos vagos da agência
responsável por regular e fiscalizar o setor aéreo. São os dos engenheiros Alexandre Gomes de Barros e Cláudio Jorge Pinto Alves, e os dos
economistas Solange Vieira e Marcelo Pacheco dos Guaranys. Indagado se a saída de Zuanazzi já estaria acertada para depois do preenchimento dos
cargos vagos, Jobim disse que "há uma manifestação" de Zuanazzi neste
sentido.
Sobre o relatório final da Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo do Senado, o ministro disse ainda não ter lido, mas que deverá examiná-lo durante jantar, amanhã (23), com o relator da
Comissão, Demóstenes Torres (DEM-GO). "Só vi as notícias, de que tem coisas interessantes, muito
boas e parece ter sido um documento feito com competência", afirmou.
Jobim
também comentou a demissão de "pelo menos dez funcionários da Infraero [Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária]" em conseqüência das sindicâncias realizadas pela
Controladoria-Geral da União (CGU). "Vamos examinar os
demais e uma coisa é certa: teve problema, é rua", disse.
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