A Polícia Federal prendeu hoje (22), em Minas Gerais, 27 pessoas
acusadas de crime contra a saúde pública e contra as relações de consumo. As
acusações são referentes a adulteração no leite produzido por cooperativas das
cidades de Uberaba e Passos. Os acusados supostamente usavam técnicas ilegais para aumentar a duração e rentabilidade do produto.
Foram presos um fiscal do Ministério da
Agricultura, o químico autor da fórmula utilizada no leite, além de empregados e
diretores de cooperativas. Ao todo, estão detidas 19 pessoas em Uberaba e oito em
Passos.
A operação, chamada de Ouro Branco, colheu amostras de leite das empresas Calú e Parmalat, da Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale) e da Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil). Até o momento, todos os lotes analisados foram considerados impróprios para consumo humano. Amostras estão sendo coletadas em empresas produtoras de leite de todo o país.
Segundo a Polícia Federal, apesar de o laudo não indicar quais são as
substâncias utilizadas, vários presos confessaram que misturavam soda cáustica,
ácido cítrico, peróxido de hidrogênio e citrato de sódio, além de água, sal e
açúcar.
“É importante constar que de acordo com os presos essa conduta vem sendo
praticada há vários e vários anos. E tem amplitude nacional”, afirma o
coordenador da operação, delegado Ricardo Ruiz. Ainda segundo a Polícia Federal,
a proporção de substâncias impróprias para consumo era de 10% do
leite.
O presidente do Conselho Fiscal e cooperado da Casmil, Emerson
Carvalho, disse que amostras do leite são enviadas
mensalmente para análise no Serviço de Inspeção Federal (SIF) e que não foram
encontrados problemas no último laudo. Quanto às acusações da Polícia Federal,
Carvalho alegou que a cooperativa vai aguardar o fim das investigações. “Estamos
aguardando que ocorram os trâmites burocráticos para enviar os lotes lacrados
pela Polícia Federal para nova análise.”
Ainda segundo o representantes da
Casmil, a cooperativa fabrica laticínios e fornece leite para grandes
empresas do ramo como Nestlé e Parmalat. Procurada pela Agência Brasil para se pronunciar, a Coopervale não foi encontrada.