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Brasília - A possível chegada ao Brasil da dengue tipo 4 não
deve ser motivo de alarde. De acordo com o médico epidemiologista Vicente Amato Neto, professor da
Universidade de São Paulo (USP), a
variação é apenas “um complicador a mais”
para tratar da doença e não representa risco de
surto.
Segundo ele, embora essa modalidade do
vírus já tenha sido identificada na Venezuela e em uma das
Guianas - países próximos aos estados da região
Norte brasileira -, não há como precisar quando chegará ao Brasil.
“Basta que um
paciente com vírus tipo 4 chegue aqui”, afirma, ao acrescentar que essa variação da dengue não
deve preocupar frente ao atual quadro de infecção no
país, “que já está intenso”.
Amato
Neto diz que o vírus tipo 4 não pode ser considerado “mais grave ou
virulento” que os demais, exigindo o mesmo tratamento que os outros três tipos.
Apesar de afastar o risco de epidemia, ele explica que, se chegar ao país, o vírus tipo 4 vai encontrar pessoas que nunca
foram infectadas por ele e que, por isso, podem não ter
defesas contra ele.
O professor lembra que o mais grave não é
modalidade clássica da dengue, mas a forma hemorrágica, que pode levar à morte. Neste caso, estão mais suscetíveis
as pessoas que já contraíram alguma das variações
de dengue.
“Quem já teve a infecção
por um certo tipo pode ser infectado por um outro. A forma
hemorrágica não é obrigatória, mas é
mais fácil se já existiu uma infecção
anterior”, esclarece.
De acordo com o professor, se o vírus tipo 4 chegasse ao país, aumentaria a probabilidade de ocorrem mais casos da forma
hemorrágica. “Apareceria um complicador a mais. Entraria mais um
componente para facilitar essas combinações”.
O epidemiologista avalia que as primeiras
manifestações da dengue tipo 4 no Brasil podem ser difíceis
de serem identificadas. Mas alerta que a única forma de tornar
a dengue hemorrágica menos grave, independentemente da variação do vírus, é o diagnóstico precoce e o tratamento
adequado. “Isso não é fácil. Várias
regiões do país não têm médicos e
instalações preparadas”.
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