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27 de Outubro de 2007 - 17h40 - Última modificação em 27 de Outubro de 2007 - 17h40


Ativista diz que falta de política educacional é principal agravante da violência no Rio de Janeiro

Grazielle Machado
Da Agência Brasil

 
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Brasília - Os resultados dos debates do 1º Fórum de Violência, Participação Popular e Direitos Humanos no Rio de Janeiro, realizado esta semana. foram “alarmantes” e as conclusões deveriam “chamar a atenção de toda a sociedade”.

A avaliação foi feita por um dos organizadores do evento, o presidente da Organização Não-Governamental Rio Paz, Antonino Carlos Costa, em entrevista ao programa Redação Nacional, da Radio Nacional.

A situação do sistema penitenciário brasileiro e as políticas públicas educacionais em áreas onde existem altos índices de violência foram os principais temas levantados nas discussões, das quais participaram representantes de ONGs, do governo e de especialistas em direitos humanos e em temas ligados à violência.

“Nossos presos estão tendo que conviver uns com os outros em celas superlotadas em condições desumanas. Eu já tive informações de que em alguns presídios a temperatura no verão chega à casa dos 50 graus”, disse Costa. Para ele, o principal problema do Rio de Janeiro é a falta de uma política educacional.

“De acordo com um ex-comandante do Bope [Batalhão de Operações Policiais Especiais], o senhor Mário Sérgio, a política de confronto que o governo estadual adota precisa vir acompanhada de outras políticas sociais. Se nós não levarmos cidadania a essas áreas, [com altos índices de violência], se elas não contarem com a presença do Estado, vamos continuar vivendo esse drama de civis e policiais sendo mortos”, disse.

Costa se referiu ao filme brasileiro Tropa de Elite [que mostra as práticas desses policiais no combate ao crime], para criticar a política de confronto adotada pelo Estado.

“A população que está aplaudindo esse filme Tropa de Elite deveria saber que se trata de uma realidade e, há dez anos, esse tipo de coisa tem sido feito. Hoje nós nos encontramos em que quadro da segurança pública?", indagou.

Para Costa, o filme retrata de forma errada o tráfico e o uso de drogas no Rio de Janeiro. Segundo ele, é preciso entender o problema dos usuários de droga como um “caso de saúde pública” e não apenas como caso de polícia. “Quem lida com dependência química sabe o que isso significa”, frisou.

Apenas com uma grande mobilização popular e com a ajuda da população será possível acabar com a violência no estado.

“Eu penso em milhares de pessoas nas ruas de modo pacífico e ordeiro reivindicado seus anseios. Eu penso que, do jeito que está, a segurança pública no Rio de Janeiro é ingovernável”.



 


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