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Zurique (Suíça) - Na terça-feira (30) o
ministro do Esporte, Orlando Silva, participa, na sede da Federação
Internacional de Futebol (Fifa), em Zurique, Suíça, da
cerimônia que definirá se o Brasil irá sediar a
Copa do Mundo de 2014.
Em entrevista à Agência
Brasil, o ministro fala da expectativa com a decisão
da Fifa, da candidatura única do Brasil e do apoio de países
da América do Sul. Para ele, o mundial é uma
possibilidade de tornar o futebol brasileiro mais transparente e de
associar o esporte a políticas públicas de inclusão
social.
Agência Brasil: Pela
campanha que o Brasil fez até agora para sediar a Copa do
Mundo de 2014, pelas impressões expressas pelos inspetores da
Federação Internacional de Futebol (Fifa) que vieram ao
Brasil, qual expectativa para a próxima semana? Orlando Silva: Nossa expectativa
é de que no próximo dia 30 o Comitê Executivo da
Fifa anuncie que a Copa do Mundo de 2014 será no Brasil. Isso
é uma homenagem à torcida brasileira, que é
apaixonada por futebol, e ao futebol brasileiro, que é o único
pentacampeão do mundo. É uma homenagem à América
do Sul, estamos sendo brindados pelo rodízio entre os
continentes e todos os países da região apóiam a
candidatura brasileira.
ABr: Quando será definido
em que cidades brasileiras serão realizados os jogos? Silva: Dezoito capitais
estão interessadas e inscritas no projeto que foi apresentado
à Fifa pela Confederação Brasileira de Futebol.
Entre as 18 terão que ser escolhidas dez ou 12. Falo esse
número por que existe uma idéia original da Fifa de
serem dez as cidades sede de jogos e a Confederação
Brasileira de Futebol (CBF), com nosso apoio, tem argumentado que
seria importante que fossem 12, já que o Brasil é um
país continental. As 18 cidades estão definidas e, a
partir de inspeções realizadas pela Fifa no ano que
vem, é que na eventualidade de o Brasil ser confirmado como
sede, a Fifa decidirá quais serão as 12 premiadas.
ABr: O Brasil é candidato
único. O senhor acredita que se for o escolhido isso pode dar
margem a interpretações de que o país só
irá sediar a Copa do Mundo de 2014 por que não teve
concorrentes? Silva: Creio que não.
O Brasil é candidato único porque, de acordo com
rodízio da Fifa, a Copa deve ser realizada na América
do Sul, e a região inteira chegou à conclusão de
que era justo o Brasil sediar. A Colômbia chegou a apresentar
sua postulação. Com os debate feitos em nossa região
decidiu-se que era melhor que todos unificassem em torno do Brasil.
Na verdade, o que os países da América do Sul fizeram
foi uma homenagem ao nosso futebol.
ABr: Em relação à
estrutura, o que é necessário para tornar possível
a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014? Silva: O Brasil poderá
usar algumas arenas existentes com reformas e adequações
e outras serão construídas. Isso vai preceder a
definição das cidades que realizarão os jogos e
algum investimento terá que ser feito na área de
transportes, aeroportos, rede hoteleira, infra-estrutura de
telecomunicações, segurança pública,
transporte urbano. Decidida a Copa no Brasil, fixadas as cidades
sedes, tudo isso exigirá um plano meticuloso para a garantia
do sucesso pleno. E o importante é que tudo aquilo que for
construído, reformado, investido nas cidades sedes, ficará
para o país depois da Copa.
ABr:Quem arcaria com esses
custos, o governo, a iniciativa privada ou ambos? Silva: Funções
que são típicas de Estado podem ser responsabilidade de
prefeituras, estados e do Governo Federal. Temas como segurança,
logística, estradas, aeroportos, são matérias
que merecem uma atenção direta por serem atividades
tipicamente públicas. Teremos a participação da
iniciativa privada, por exemplo, na rede hoteleira, com o
investimento para a expansão de leitos, nos estádios.
Aí teremos investidores privados para construir ou reformar.
Já fomos procurados por várias empresas interessadas em
participar de investimentos no Brasil para o projeto da Copa.
Empresas do Brasil e também de outros países.
ABr: Durante os Jogos
Pan-Americanos houve destaque para o esporte como um meio de
transformação social, de ensinar aos jovens valores
como disciplina e determinação. O senhor acredita que
um evento como a Copa do Mundo, se realizada no Brasil, poderá
ter essa interface social? Silva: Seguramente, até
por que o futebol é uma modalidade que tem um apelo muito
grande junto às camadas mais desfavorecidas da sociedade
brasileira e até alimenta o sonho de ascensão social
para muitas crianças e jovens. Temos que ter capacidade de
associar essa movimentação em torno da Copa com
projetos sociais, valorizando o futebol como uma forma de educação,
de formação para a cidadania, criando mecanismos de
vivência esportiva e utilizando-a para melhor formar as futuras
gerações.
ABr:Que tipo de retorno um evento
como esse pode trazer para o Brasil? Silva: A Copa do Mundo da
Fifa no Brasil, por ser um dos maiores eventos internacionais, é
uma plataforma única de promoção do país
no exterior. Um resultado imediato é o incremento do turismo,
a divulgação do Brasil no mundo e isso gera emprego. De
outro modo, a realização dessa Copa exigiria uma séria
de investimentos, o que vai gerar empregos no interior do Brasil em
várias áreas que lidem com temas como o da
infra-estrutura. A Copa do Mundo também pode ser uma
oportunidade para que o futebol brasileiro aproveite o ambiente
criado, as instalações que ficarão disponíveis
depois e se modernize. Aposto que a Copa pode ser o ideal para o
Brasil se referenciar na modernização de seu futebol,
respeitando os direitos de seus torcedores, valorizando nossos
atletas, protegendo os clubes formadores e tendo uma gestão de
clubes e campeonatos mais transparente e mais profissional.
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