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Rio de Janeiro - O governo brasileiro
está atuando com lentidão na implementação
do Plano Nacional de Mudanças Climáticas e deveria
dividi-lo, para iniciar em seis meses as ações mais
urgentes. A opinião é do secretário executivo do
Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz
Pinguelli Rosa, também pesquisador da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ).
Pinguelli comentou ontem (26) a previsão
de que o plano será concluído em um prazo de dois anos.
O conjunto de medidas está sendo elaborado a partir de
diretrizes apontadas pelo fórum, a pedido do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e da ministra do Meio Ambiente, Marina
Silva. O fórum é composto por 12 ministros, do
diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA),
de especialistas e representantes da sociedade civil, e presidido
pelo presidente da República.
"Eu acho que está
muito devagar”, disse, durante evento sobre o quarto relatório
do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC, na
sigla em inglês). “Claro que ainda não seria possível
ter concretizado alguma coisa, mas está se falando em levar
dois anos para um plano acabado. É muito tempo. Esse plano
poderia ser dividido em etapas: uma parte de ações de
imediatas e outra parte mais elaborada. O governo deveria dar
prioridade imediata à implantação do plano,
porque ele não dá efeitos imediatos e por isso é
urgente começar logo."
Para Pinguelli, no
prazo de seis meses o governo deveria implementar metas internas de
redução do desmatamento, ações de
conservação de energia no país e formas de
diminuição da emissão de carbono pelas
indústrias e na área dos transportes, entre outras
medidas. Na sua avaliação, a necessidade número
1 é a redução do desmatamento, principal
responsável pelas emissões de gases de efeito estufa no
Brasil.
Entre as medidas a
serem adotadas de imediato para conservação de energia
no país, o pesquisador citou a revigoração do
Programa de Conservação de Energia Elétrica
(Procel), o estímulo à utilização da
energia solar para aquecimento de água nas residências e
ações específicas como, por exemplo, o
financiamento para que as pessoas substituíam as lâmpadas
incandescentes por aquelas com menor consumo de energia.
Procurado
pela Agência Brasil, o Ministério do Meio Ambiente
informou que a secretária de Mudanças Climáticas,
Thelma Krug, está fora do país e poderá comentar o assunto na semana que vem.
"As
pessoas não compram essas lâmpadas porque elas são
caras. Poderíamos ter uma situação em que as
pessoas teriam acesso a um financiamento para a melhorar a iluminação
da sua casa e pagá-lo mensalmente na conta de luz".
Para Pinguelli, outro foco que precisa ser atacado com
urgência é o uso do automóvel. Segundo ele, menos
de 10% cento da população brasileira tem acesso a
veículos particulares, e o uso de álcool e gasolina
para movimentá-los consome três vezes mais energia do
que a empregada com o óleo diesel que abastece o transporte
coletivo.
Ele avaliou, no
entanto, que o incentivo ao transporte coletivo exige também
medidas para melhorar a qualidade do serviço público
prestado à população e expandi-lo no país,
incluindo alternativas – por exemplo, retomar o uso dos bondes.
Em relação
às indústrias, Pinguelli defendeu estímulo à
eficiência energética para redução da
emissão de gás carbônico por unidade produzida:
"A fábrica vai aumentar a produção, mas a
emissão para produzir cada unidade pode diminuir".
O
evento internacional, realizado pela Secretaria de Estado e Meio
Ambiente do Rio de Janeiro e pela Companhia Vale do Rio Doce, foi o
primeiro encontro do Painel Intergovernamental de Mudanças do
Clima (IPCC, na sigla em inglês) na América Latina.
Reuniu cerca de 250 ambientalistas para debater as recentes
conclusões sobre o aquecimento global e seus impactos.
*Colaborou Alessandra Bastos
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