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Brasília - Apesar de acreditar que a realização da Copa do Mundo
no Brasil em 2014 pode trazer benefícios econômicos para
o país, especialmente para o setor de turismo, o economista
do Instituto de Economia da Unicamp, Marcelo Weishaupt Proni, diz que é
preciso haver transparência na gestão dos recursos que
serão aplicados nesta área. Proni, que também é
doutor em educação física, defende a
participação da sociedade civil, do governo e de
entidades esportivas no comitê que irá organizar o
evento.
“Os
jogos podem ser muito bons para o país, mas é
importante a gente aprender a fazer a coisa de uma forma
transparente, regulada e com estratégia. Quando se deixa a
coisa sem planejamento, se permite que pessoas mal intencionadas
possam usar isso e se beneficiar”, afirma.
Na área
de turismo, o economista diz que é preciso desenvolver a
“musculatura interna” do setor no país. “Em comparação
com outros países, ainda temos déficits nesta área,
precisaríamos melhorar bastante em termos de logística,
de transportes, de hospedagem”, avalia. Ele também chama a
atenção para problemas que podem vir acompanhados dos
turistas, como a prostituição infantil e problemas
ambientais. “É importante que o estado tenha participação
ativa na promoção e na regulação do
segmento”, lembra.
Proni
também sugere que os investimentos na construção
e modernização de estádios possam ter aporte
governamental, como empréstimo do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Seria um
empréstimo, de longo prazo, com juros menores que o de
mercado, mas um dinheiro que deve ser utilizado sem abuso, sem
superfaturamento de gastos”.
Segundo o
economista, o custo da Copa para o Brasil vai depender da escolha das
sedes e do comprometimento dos governos estaduais e municipais na
preparação para a copa. Ele acredita que os números
podem variar também com as obras de infra-estrutura que serão
computadas como gasto adicional em razão da Copa do Mundo.
“O
dimensionamento de quanto vai custar a copa do mundo para o Brasil
depende do que você coloca dentro deste cálculo. Eu
acredito que a copa pode ajudar a legitimar uma série de
gastos em infra-estrutura, mas que de uma forma ou de outra deveriam
ser feitos”, explica.
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