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Brasília - A criação
da Empresa Brasil Comunicação (EBC), prevista na
Medida Provisória 398, de 2007, foi discutida hoje (30) na
primeira audiência pública realizada pela Frente
Parlamentar Mista de Radiodifusão, da Câmara dos
Deputados. A empresa corresponde à união do patrimônio
da Empresa Brasileira de Comunicação (Radiobrás)
e da Associação de Comunicação Educativa
Roquette Pinto (Acerp).
Entre os pontos polêmicos da
sessão, a contratação de serviços pelo
governo federal sem a necessidade de licitação; a
composição do conselho curador, responsável pelo
controle social da empresa; e a criação da nova empresa
por medida provisória.
O presidente da frente
parlamentar, o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), disse que esse é
um assunto para ser debatido como projeto de lei pelo Congresso
Nacional e que a sociedade necessita de respostas.
“São questões que a
frente vai levantar, o Congresso vai debater e discutir”, comentou.
“Pena que não é um projeto de lei, porque este
assunto cabe num projeto a ser discutido com calma nas duas Casas, no
Senado e na Câmara, e neste momento está sendo feito de
forma açodada, por medida provisória, que a meu ver é
inconstitucional, porque não comporta nem a urgência nem
a relevância do tema.”
Sobre a contratação de
serviços sem licitação, Bornhausen disse que há
risco sempre que o serviço público se utiliza da
exceção da regra.
Para Bornhausen, o Conselho Curador
da empresa não vai cumprir a sua função da
maneira como está formado. “Ele é um conselho curador
nomeado pelo presidente da República, assim como o Conselho
Diretor, o Conselho de Administração e a Diretoria
Executiva, e assim você não tem independência.
Infelizmente não há essa perspectiva a curto, médio
e longo prazo. Com algumas modificações, em forma de
emendas, nós vamos tentar sanear essa questão, que é
fundamental para uma televisão que almeja ser TV pública”.
Para a deputada Luiza Erundina
(PSB-SP), é importante a criação de um sistema
público de televisão, desde que se garanta um sistema
público que articule os vários canais do sistema de
radiodifusão no país. “É preciso verificar um
pouco melhor o conceito e como isso se articula com outros sistemas
que operam o sistema de comunicação no Brasil. O fato
de ter vindo como medida provisória acaba limitando a
discussão da matéria”.
Erundina avaliou que a TV pública
não se viabilizaria sem a possibilidade, prevista na MP, de
receber publicidade estatal. “Se o serviço público já
financia a propaganda na rede privada, comercial, eu vejo razão
de ter a sustentação financeira no interesse de fazer
chegar a informação ao público por meio do
financiamento das empresas estatais, dos órgãos
públicos, que é o que já se faz na rede
comercial”, comentou.
A presidente nomeada da EBC,
Tereza Cruvinel, disse que é necessário esclarecer
pontos que ainda estão confusos. “Várias questões
do projeto da TV pública ainda estão confusas,
inclusive sobre a possibilidade de contratar sem concurso”, disse.
“Uma das possibilidades abertas na MP é a possibilidade de
absorver o pessoal da Acerp, funcionários da TVE que são
celetistas. A União tem um contrato de gestão com a
Acerp, e pretendemos aos poucos fazer a migração desse
pessoal para a empresa EBC.”
Sobre as críticas dos
parlamentares em relação ao Conselho Curador, Tereza
Cruvinel disse que o Congresso é “soberano” e poderá
alterar a proposta se encontrar fórmulas mais eficientes de
garantir o controle social.
Tereza Cruvinel afirmou também
que a criação da EBC foi adiantada por medida
provisória para coincidir com a inauguração do
novo sistema de TV digital, prevista para 2 de dezembro. Segundo ela,
a empresa levaria pelo menos um ano para ser criada por meio de
projeto de lei, e isso atrasaria a criação dos novos
canais de televisão pública no sistema digital.
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