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Brasília - O ministro da Defesa,
Nelson Jobim, afirmou hoje (31), em audiência pública na
Comissão de Relações Exteriores e da Defesa
Nacional da Câmara dos Deputados, que a modernização dos equipamentos militares
é uma necessidade nacional e que é preciso vontade política
para ser implementada. Ele descartou que o interesse de renovar o arsenal brasileiro seja resposta aos investimentos de outros países
sulamericanos.
Durante mais
de três horas de depoimento, Jobim cobrou a reflexão
dos parlamentares sobre a necessidade de se modernizar o sistema de
defesa nacional. “Precisamos saber se estamos interessados
efetivamente em termos uma estrutura e um plano estratégico de
defesa ou se só estamos comprometidos com retórica”,
ponderou.
O ministro
reforçou a necessidade de aumentar a segurança nas
fronteiras, em especial na região Amazônica. “O
cumprimento da tarefa de defesa nacional brasileira não é
expansionista em questões territoriais, mas sim para
conservação de seu território. Nas fronteiras
amazônicas é preciso tratamento diferenciado. Está
é a razão pela qual percorri essas áreas”.
Jobim citou a
derrota da Argentina na Guerra das Malvinas (1982) contra a
Inglaterra como exemplo dos riscos da não-substituição
de equipamentos sucateados. “Quando houve o conflito, os mísseis
usados pela Argentina não funcionaram. Apenas um explodiu
porque acertou no corpo das máquinas de um navio”, explicou
o ministro que considerou obsoletas as armas usadas pelo país
vizinho.
A previsão
de gastos militares para 2008 vai ser acrescida em pelo menos 50%, com
relação à proposta inicial do Ministério do
Planejamento. Jobim informou que “os investimentos devem subir, por
determinação do presidente da República, de R$ 6 bilhões para
R$ 9 bilhões”. Segundo o ministro ainda existe a possibilidade de aplicação de mais R$ 1
bilhão em verbas suplementares.
O aumento dos
gastos militares não é resposta nem foi motivado pelos
recentes investimentos em armas feitos pela Venezuela, assegurou o
ministro. “Nós não entramos em corrida armamentista”,
garantiu Jobim, que prometeu visitar todas as capitais sulamericanas
no ano que vem, a pedido do presidente Lula.
Outro assunto
abordado foi a renda dos militares. Jobim reconheceu a
necessidade de reajustar o valor das remunerações, mas
lembrou que a questão é delicada porque existem muitos
militares inativos e pensionistas.
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