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Brasília - Esta semana o leitor
aposentado José Roberto Viera escreveu para a
Ouvidoria contando que acaba de comprar um aparelho de TV novinho por
R$ 599, com cinco
anos de garantia,
para pagar em 12 vezes. Para o leitor, até o dia 26 de
outubro, dia
em que
escreveu a mensagem, ele gastaria mais
uns R$ 100 num conversor para ter
a imagem digital
na tela de sua
TV. Essa era a informação
que a Agência Brasil havia publicado na matéria Hélio Costa quer desoneração do ICMS nos estados para
equipamentos importados para TV digital, em 10 de outubro de 2006, que o
leitor cita em sua mensagem.
Mas, ao se informar em outros sites, o senhor
José Roberto soube de outra história. “Todos
estão dizendo que o conversor deverá custar entre R$ 600 e
R$ 800”, disse.
“Eu mesmo,
vou ficar sem
assistir a tão
famosa TV digital
por muito
tempo, sou apenas
um aposentado.”
A mesma
informação sobre o preço do conversor foi confirmada na matéria:Aparelho
para converter sinal da TV digital deve custar R$ 100, publicada em 9 de abril
de 2007, na qual o ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse que um
conversor poderia custar em torno de R$ 100 e que os aparelhos estariam
disponíveis para venda a partir de junho de 2007, na capital paulista. “Esse
adaptador que será colocado no mercado vai ser muito simples. É evidente que,
nos próximos anos, teremos conversores mais modernos”, explicou o ministro. Naquela
oportunidade, o ministro
não disse quanto
custariam esses conversores “mais modernos”.
Será que os “mais
modernos” sairão primeiro
que os “muito
simples”? Será que
ambos serão
vendidos ao mesmo tempo?
E o que diferenciará os “mais modernos”
dos “muito simples”?
As matérias da Agência não informam.
A matéria
Ministro
quer conciliar avanço tecnológico e benefícios à população, publicada em 17
de setembro, traz a preocupação do ministro da Secretaria de Comunicação Social
da Presidência da República, Franklin Martins, com o assunto. Ele desafiou os
participantes da Conferência Nacional Preparatória de Comunicações, ocorrida em
setembro, a conciliarem os avanços tecnológicos proporcionados pela TV digital
ao acesso de toda a população aos benefícios que essa mudança trará.
A Agência Brasil não
informou se o ministro obteve, até o presente momento, alguma resposta
ao seu desafio.
Enquanto isso,
o senhor José Roberto e todos
aqueles brasileiros
que dispõem de televisores
comuns, mesmo
os modelos mais
caros à venda,
podem continuar a se preocupar
em relação
à nova tecnologia,
a menos que
tenham dinheiro para adquirir o tal
conversor, seja ele “mais moderno” ou “muito simples”.
Considerando que a vida útil de um aparelho é de aproximadamente 15 anos,
o leitor, a princípio,
abrindo mão da programação
da “tão famosa
TV digital”, só
teria que se preocupar
com esse
assunto em
2022, quando fosse adquirir
uma nova TV. Mas
o governo adverte que
em junho
de 2016, o aparelho, que o leitor acaba
de adquirir em
12 prestações, se tornará apenas uma caixa plástica com um vidro escuro, pois o sinal analógico
será tirado do ar.
Deixando a polêmica
tecnológica de lado, há ainda outras questões relativas ao conteúdo da TV
digital, às restrições de acesso a esse conteúdo, interatividade,
multiprogramação, concessões e por aí vai.
Para cada questão dessas há várias possibilidades em
termos de tecnologia,
de uso, de acesso
e, a depender dos fabricantes e dos concessionários
de TV, de preço. A Agência Brasil respondeu que,
com base
na demanda do leitor,
vai esclarecer o público
sobre essas possibilidades aprofundando sua apuração sobre
o assunto.
A TV digital,
anunciada como uma evolução
em termos
de democratização dos meios de comunicação e do acesso
à informação, agora,
à medida que
se aproxima a data de sua entrada no ar – como pode ser conferido em Cronograma
de implantação da TV digital prevê início das transmissões em dezembro de 2007
–, vai paulatinamente apresentando a conta dessa evolução para o consumidor
pagar. Por isso, a partir deste momento, deverá aumentar a procura por
informações sobre o processo em curso e a forma como ele atingirá a todos.
E é aí
que entra o Estado
brasileiro em
sua função
soberana de regulamentar
o uso e as concessões
do espectro público
e a política, industrial
e tecnológica, para
o setor. Dependendo de sua
atuação, milhões
de telespectadores farão parte da inclusão digital ou não. Essa é uma decisão
política que
determina a decisão tecnológica.
A cobertura da Agência tem contemplado
como essas decisões
estão sendo tomadas pelo
governo e como
elas se consolidarão em políticas
públicas. Essa discussão é retratada parcialmente na matéria
Encontro
prepara debate sobre legislação e regulamentação de meios de comunicação,
publicada em 17 de setembro. Faltou a Agência
informar quais as conclusões a que chegaram os debatedores.
O governo
diz o seguinte(*): “Ainda
não é possível
responder se a interatividade será gratuita, mas certamente haverá serviços
sem ônus, mesmo porque a nova tecnologia
tende a oferecer inúmeras opções
e a se desenvolver continuamente. Por isso, os recursos disponíveis
serão renovados a todo
instante. A concorrência,
assim como
acontece com a telefonia
celular, garantirá muitas possibilidades para cada emissora, inclusive para aqueles serviços prestados gratuitamente.”
Mas, se o Estado não se posicionar em algumas dessas questões,
a sociedade já
prevê alternativas mais
baratas que
facilitem o acesso à tecnologia digital.
A matéria Professor
critica bloqueio de gravações de programas da TV digital, publicada em 7 de
julho de 2007, aponta para a possibilidade do surgimento de um mercado paralelo
de aparelhos conversores, não em função do preço, mas do dispositivo para
bloquear cópias da programação.
Ao buscar
ir além das declarações de fontes
oficiais do governo,
a Agência Brasil oferece ao leitor
informações sobre
os interesses que
estão em
jogo. De um lado, o mercado, com fabricantes nacionais
e estrangeiros de aparelhos
de TV, empresas de comunicação
e alguns produtores
independentes tentando cobrar
pelo acesso à
tecnologia digital
e a seu conteúdo.
De outro, certas
organizações da sociedade
civil e cidadãos
tentando fazer prevalecer
seu direito
fundamental de acesso
à informação, ao conhecimento
e à tecnologia. Entre
eles: o Estado
brasileiro arbitrando a questão.
Contemplar a todos
é o desafio que
se apresenta para a redação
neste momento.
Até a próxima semana.
(*) Informativo Em Questão – “TV digital
revoluciona transmissões e mantém serviço analógico
até 2016”. Editado pela
Secretaria de Comunicação
Social da Presidência
da República - N° 563b - Brasília, 29 de
outubro de 2007. Pode ser
acessado na íntegra em:
http://www.brasil.gov.br/noticias/em_questao/.questao/eq563b/
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