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Brasília - Especialistas e parlamentares discutiram hoje (6) a criação
de procedimentos para a aquisição responsável de
madeira, exigindo provas de sua legalidade e origem. O objetivo é evitar a destruição
de florestas e combater o consumo indiscriminado de madeira.
Os debates sobre a licitação
sustentável para aquisição de madeira por parte
dos governos (federal, estadual e municipal) foram realizados durante
audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável, na Câmara dos Deputados.
Para a diretora regional do Conselho
Internacional para Iniciativas Ambientais Locais (ICLEI), Laura
Valente de Macedo, o debate propõe uma reflexão a
respeito das compras públicas sustentáveis. “Se a
gente não souber o quanto está desmatando, o quanto
está sendo consumido, não poderemos fazer a ponte nem
definir alternativas para resolver o problema”, disse Laura
Valente.
O ICLEI afirmou
que há um projeto piloto na América Latina, iniciado em
maio de 2007 em
parceria com a embaixada britânica, que pretende
aumentar a demanda do mercado por produtos ambientais e socialmente
preferíveis, através de apoio aos esforços de
aquisições públicas por parte dos governos
estaduais e municipais. Esse projeto inclui os governos estaduais de
Minas Gerais e de São Paulo.
Segundo
o conselho, em 2004, uma iniciativa semelhante foi implantada na Europa.
Atualmente, mais de 200 instituições européias
participam da rede conhecida como Compre Verde.
O deputado Luiz Carreira (DEM-BA),
que é coordenador do Grupo de Trabalho de Floresta da Frente
Parlamentar Ambientalista, afirmou que os debates se concentraram nas
alternativas possíveis para regulamentar a questão das
compras sustentáveis.
Carreira explicou que cerca de 23
cidades no interior de São Paulo já adotam práticas
de compras sustentáveis e que o estado já possui uma
regulamentação sobre o assunto. Segundo ele, outras
cidades brasileiras também estão adotando essa prática.
“Foi possível também
ver as iniciativas que estão sendo tomadas pelo Ministério
do Meio Ambiente que está buscando regulamentar essa questão
das compras federais e fazer de forma sustentável,
incorporando a questão ambiental à da madeira ilegal,
proibindo a compra, ordenando esse processo e disciplinando”, disse
Carreira.
A coordenadora do Programa de
Consumo Sustentável da Fundação Getúlio
Vargas (FGV) em São Paulo, Raquel Biderman, explicou que o governo
federal vem desenvolvendo algumas iniciativas nessa área e que
atualmente há uma mobilização maior, não
só para alteração da lei de licitação
geral, mas para incorporar o critério ambiental nas compras e
contratações.
Durante a audiência pública,
o coordenador da Campanha da Madeira e Desmatamento da Amazônia
do Greenpeace, Marcelo Marquesini, apresentou o programa Cidade Amiga
da Amazônia que consiste na criação de uma
legislação municipal que elimine a madeira de origem
ilegal e de desmatamentos criminosos de todas as compras municipais.
Ele disse que o programa deve ajudar a criar condições
de mercado para a madeira produzida de forma sustentável na
Amazônia.
Ainda estiveram presentes à
audiência pública como expositores o diretor de Economia
e Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente, Luiz Fernando
Krieger Merico; o engenheiro florestal do WWF Brasil, Estevão
Braga e o diretor da Fundação SOS Mata Atlântica,
Mário César Montovani.
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