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Brasília - As cinco pessoas suspeitas de fraudar processos no Conselho Nacional de
Incentivo à Cultura ligado ao Ministério da Cultura deverão permanecer
presas por cinco dias na Polícia Federal. A decretação da prisão
temporária poderá ser prorrogada por mais cinco dias, a critério do
delegado Gustavo Bucker, que colheu na tarde de hoje (6) os primeiros
depoimentos.
O grupo, preso durante a Operação Mecenas, é
suspeito de facilitar a tramitação de projetos culturais que buscavam obter
benefícios da Lei Rouanet, em troca de compensações financeiras.
De
acordo com a Polícia Federal, a funcionária do ministério Adriana Barros
Ferraz cobrava R$ 1,5 mil para dar início ao andamento do processo.
Para fazer esse
acompanhamento de projetos nas áreas de cinema, música
e teatro, a quadrilha cobrava uma comissão de um a cinco por
cento. A investigação da PF apurou que as empresas se
interessavam apenas pelos projetos de alto valor, de 300 mil a três
milhões de reais. Quando o proponente não
aceitava os serviços de despachante, a funcionária
atrasava o agendamento dos processos na pauta da Comissão.
Ela
agia em conjunto com as empresas Mecenas, de propriedade de Paulo César
Guida Silva, e G4 Produções, de propriedade dos irmãos Raul Eduardo e
Jair Cruz Machado Santiago e do produtor cultural José Ulysses Frias
Xavier.
A superintendente da Polícia Federal em Brasília, Valquiria Teixeira de Andrade, disse que Adriana "tinha
conhecimento dos projetos que tramitavam e fornecia esses dados para a Mecenas e a G-4. Com os dados e valores dos projetos, as empresas iam atrás dos proponentes desses projetos e ofereciam a intermediação para fazer acompanhamento dos projetos".
O secretário executivo
do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, disse que o processo
corre em segredo de Justiça, e adiantou que vai adotar medidas
para evitar outras fraudes como esta.
"A principal e imediata é
a abertura de processo administrativo, e evidentemente nós
vamos checar toda a estrutura do ministério porque precisamos
montar as defesas para que ninguém mais possa acionar esse
esquema de dificultar o trâmite dos projetos no Ministério
da Cultura".
Juca Ferreira informou
que a investigação da PF não identificou nenhuma
relação com o conteúdo dos pareceres nem com os
membros da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura,
responsáveis pela aprovação dos projetos.
As investigações para a operação policial duraram seis meses e foram
iniciadas depois de denúncia feita por um empresário que relatou
ao Ministério da Cultura ter sido procurado pelo grupo para apressar a obtenção
dos benefícios previstos na legislação.
Durante a
operação também foram executados sete mandados de busca e apreensão de
documentos e de computadores na sede das empresas, localizadas na Asa
Norte de Brasília. Além do ministério, colaboraram com a Polícia Federal a Constroladoria Geral da União e a
Corregedoria da Polícia Civil do Distrito Federal.
* Colaborou Lourival Macedo, da Rádio Nacional
* Atualizada às 20 horas para complementar informações
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