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Brasília - Em São Paulo,
a visita do relator especial sobre execuções arbitrárias, sumárias ou
extrajudiciais da Organização das Nações Unidas (ONU), Philip Alston, começou com uma reunião no domingo (5) entre Alston, representantes de entidades da sociedade civil ligadas a
movimentos de direitos humanos e familiares de vítimas de
torturas e execuções.
O encontro fez parte das
investigações sobre as mortes dentro do sistema
prisional paulista e as mortes ocorridas em maio
de 2006 em São Paulo, quando houve uma série de ataques
criminosos atribuídos à organização
Primeiro Comando da Capital (PCC).
As ações atingiram principalmente a capital paulista, mas outras cidades do estado também foram alvo.
À época, quase
500 pessoas foram mortas, entre civis e policiais militares. As investigações sobre os
casos continuam. Há suspeitas de ações de grupos
de extermínio e de execuções por parte da
polícia.
Na reunião de domingo, foram ouvidas
testemunhas e parentes de vítimas mortas.
A mãe de uma delas afirma que a filha, que tinha 20 anos e estava grávida, foi morta a tiros pela polícia na cidade de Santos, no litoral de São Paulo.
“Ela levou um tiro na
barriga, mas o primeiro foi na cabeça. Minha única
esperança é que eles paguem pelo que fizeram, sejam
julgados como pessoas comuns e fiquem presos em cadeia comum, não
especial”.
O marido da jovem morta, acrescenta a senhora que preferiu não ser identificada, também teria sido executado pela polícia. Na avaliação dela, a visita internacional é importante,
pois mostra ao mundo o tipo de Justiça
que existe no Brasil.
Também moradora de Santos, a mãe de um
jovem de 26 anos disse que seu filho estava de férias
jogando video game em uma casa de jogos eletrônicos, de onde, segundo ela, teria sido tirado a força pelos policiais
e morto com nove tiros.
“Três tiros na cabeça, tiro no
coração, no pulmão, nas costas, no braço,
na mão e no ombro. Eram as primeiras férias dele. Ele
deixou uma filha de dois anos”, contou a senhora, que também pediu para não ser identificada.
Para o diretor da entidade Tortura Nunca Mais, Rodolfo Dias Barzaghi, o relator da ONU pode ajudar, pois existe uma tradição no Brasil de que os
crimes não sejam investigados a não ser depois de
denúncias internacionais.
“Nesse ponto ele deve ajudar
muito. A violência ocorrida em maio do ano passado é
inaceitável, mas já caiu no esquecimento de todas as
pessoas. Espero que ele dê uma contribuição
para que essas coisas não aconteçam mais no Brasil com
tanta impunidade como temos visto”.
Alston, que é australiano, assumiu a relatoria em
agosto de 2004 para substituir a relatora paquistanesa Asma Jahangir.
Além de dar seguimento à visita realizada por Jahangir
em 2003, ele vai apurar novas denúncias de
execuções.
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