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7 de Novembro de 2007 - 15h49 - Última modificação em 7 de Novembro de 2007 - 15h49


Em São Paulo, visita do relator da ONU teve foco em mortes ocorridas em maio de 2006

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Em São Paulo, a visita do relator especial sobre execuções arbitrárias, sumárias ou extrajudiciais da Organização das Nações Unidas (ONU), Philip Alston, começou com uma reunião no domingo (5) entre Alston, representantes de entidades da sociedade civil ligadas a movimentos de direitos humanos e familiares de vítimas de torturas e execuções.

O encontro fez parte das investigações sobre as mortes dentro do sistema prisional paulista e as mortes ocorridas em maio de 2006 em São Paulo, quando houve uma série de ataques criminosos atribuídos à organização Primeiro Comando da Capital (PCC).

As ações atingiram principalmente a capital paulista, mas outras cidades do estado também foram alvo.

À época, quase 500 pessoas foram mortas, entre civis e policiais militares. As investigações sobre os casos continuam. Há suspeitas de ações de grupos de extermínio e de execuções por parte da polícia.

Na reunião de domingo, foram ouvidas testemunhas e parentes de vítimas mortas.

A mãe de uma delas afirma que a filha, que tinha 20 anos e estava grávida, foi morta a tiros pela polícia na cidade de Santos, no litoral de São Paulo.

“Ela levou um tiro na barriga, mas o primeiro foi na cabeça. Minha única esperança é que eles paguem pelo que fizeram, sejam julgados como pessoas comuns e fiquem presos em cadeia comum, não especial”.

O marido da jovem morta, acrescenta a senhora que preferiu não ser identificada, também teria sido executado pela polícia. Na avaliação dela, a visita internacional é importante, pois mostra ao mundo o tipo de Justiça que existe no Brasil.

Também moradora de Santos, a mãe de um jovem de 26 anos disse que seu filho estava de férias jogando video game em uma casa de jogos eletrônicos, de onde, segundo ela, teria sido tirado a força pelos policiais e morto com nove tiros.

“Três tiros na cabeça, tiro no coração, no pulmão, nas costas, no braço, na mão e no ombro. Eram as primeiras férias dele. Ele deixou uma filha de dois anos”, contou a senhora, que também pediu para não ser identificada.

Para o diretor da entidade Tortura Nunca Mais, Rodolfo Dias Barzaghi, o relator da ONU pode ajudar, pois existe uma tradição no Brasil de que os crimes não sejam investigados a não ser depois de denúncias internacionais.

“Nesse ponto ele deve ajudar muito. A violência ocorrida em maio do ano passado é inaceitável, mas já caiu no esquecimento de todas as pessoas. Espero que ele dê uma contribuição para que essas coisas não aconteçam mais no Brasil com tanta impunidade como temos visto”.

Alston, que é australiano, assumiu a relatoria em agosto de 2004 para substituir a relatora paquistanesa Asma Jahangir. Além de dar seguimento à visita realizada por Jahangir em 2003, ele vai apurar novas denúncias de execuções.







 






 


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