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Brasília - O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva minimizou hoje (14) a importância do bate-boca envolvendo o presidente
da Venezuela, Hugo Chávez, e o rei da Espanha, Juan Carlos, no
encerramento da Cúpula Ibero-Americana, realizada no Chile, na
semana passada. Segundo Lula, não houve exagero ou
constrangimento. E divergências são normais entre chefes
de Estado.
No encerramento da
cúpula, no dia 10, o venezuelano chamou o ex-primeiro ministro
da Espanha José Maria Aznar de fascista porque teria apoiado a
tentativa de golpe contra Chávez em 2002. Ofendido, o atual
primeiro-ministro espanhol, José Luiz Zapatero, pediu respeito
e ainda a adoção de uma norma de conduta que imponha
respeito aos atuais e ex-governantes ibero- americanos.Chávez
tentou responder e Juan Carlos mandou-o calar a boca.
“Não
há divergência apenas entre o rei Juan Carlos e o
Chávez. Há muitas divergências entre outros
chefes de Estado. A divergência faz parte de um encontro
democrático”, disse, após encontro com o presidente
da Guiné-Bissau, João Bernardo Nino Vieira, no Palácio
do Itamaraty.
“Não acho que houve exagero”,
respondeu. “A diferença, qual é? É que o rei
estava na reunião. Não foi um de nós
[presidentes dos países]. Entre nós, divergimos
muito”, justificou.
Em defesa de Chávez, Lula disse
que a Venezuela é um país democrático. “Podem
criticar Chávez por qualquer outra coisa. Por falta de
democracia na Venezuela, não. Na Venezuela, já houve
três referendos, três eleições, quatro
plebiscitos”, afirmou.
O presidente voltou a comparar a
permanência de líderes europeus durante muitos anos no
poder e a reforma constitucional proposta por Chávez, que
permitirá ao presidente da Venezuela se reeleger infinitas
vezes, se aprovada em plebiscito marcado para 2 de dezembro.
“Por que ninguém
se queixou quando Margaret Thatcher [primeira-ministra britânica
entre 1979 e 1990] ficou tantos anos no poder?”, questionou. “É
continuidade, não tem nada de distinto. Muda apenas o sistema,
o regime, de presidencialista para regime parlamentarista. Não
importa o regime, mas o exercício do poder”,
acrescentou.
Lula informou também sobre o adiamento de
sua visita a Cuba, prevista inicialmente para os próximos dias
22 e 23. Ele disse que preferiu ter mais tempo para analisar uma
série de pedidos feitos pelo
governo cubano durante o encontro no Chile.
“Em vez de ir agora,
prefiro adiar por 30 dias, preparar essa nova proposta que os cubanos
me entregaram e levar lá um acordo com muito mais coisas do
que eu ia fazer”, disse, explicando que iria tratar de aumentar o
crédito para Cuba comprar alimentos no Brasil e para
prospecção de petróleo. Além de Cuba, o
roteiro previa paradas no Haiti e na República Dominicana.
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