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Brasília - O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC)
da Organização das Nações Unidas (ONU) divulga hoje (17), na Espanha, uma síntese
dos documentos anteriores, voltada para governos e políticos.
De acordo com o pesquisador do
Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do IPCC, Paulo
Artaxo, a síntese traz os pontos mais significativos dos três
relatórios anteriores, em uma linguagem acessível e que incentiva a formulação de políticas públicas capazes de reduzir as
emissões de gases de efeito estufa
No primeiro relatório,
foi constatado que o planeta aqueceu 0,76 graus centígrados
nos últimos cem anos por causa da emissão de gases de
efeito estufa. “Se continuarmos
emitindo gases de efeito estufa, o primeiro relatório indica
que a temperatura do planeta pode subir de 3 a 4 graus centígrados
ao longo deste século”, lembrou Artaxo, em
entrevista à Rádio Nacional.
Segundo ele, com mudanças no
“regime de chuvas”, por exemplo, poderá haver impactos na
agricultura com redução da produção de
alimentos. “Pode não haver comida para seis, sete bilhões
de pessoas no nossa planeta”. Para
evitar essa situação, seria “fundamental reduzir as
emissões de gases de efeito estufa entre 60% a 70%”.
“Teremos aumento de
eventos climáticas extremos, inundações e secas
fortes de vários anos. Temos que fazer a nossa lição
de casa o mais rápido possível”, alertou Artaxo.
No Brasil, há
previsão de aumento das secas no Nordeste, parte da floresta
Amazônica pode se transformar em Savana e a área de
Cerrado pode sofrer com redução das chuvas.
“As áreas costeiras também são motivo de
preocupação porque a erosão marinha vai se
intensificar em áreas mais sensíveis, como por exemplo,
na região de Pernambuco, Recife."
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