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18 de Novembro de 2007 - 14h24 - Última modificação em 18 de Novembro de 2007 - 14h24


Acidentes da Gol e da TAM não comprometem segurança dos vôos, alegam entidades

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Os acidentes com o Boeing da Gol, em setembro do ano passado, e com o Airbus da TAM no Aeroporto de Congonhas, em julho, não interferem na segurança do setor apesar do aumento no número de mortes ligadas a desastres aéreos, alegam os sindicatos que representam a aviação civil brasileira.

Assessor de Segurança de Vôo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), Ronaldo Jenkins de Lemos, considera a proximidade dos acidentes com o Boeing da Gol, em setembro do ano passado, e com o Airbus da TAM no Aeroporto de Congonhas, em julho, uma coincidência. “A população não tem que se preocupar. Infelizmente, nós tivemos uma época muito ruim de uma série de acidentes seguidos e, principalmente, de acidentes de impacto que mataram muitas pessoas”, diz o representante do Snea.

Segundo Jenkins, os 154 mortos no acidente da Gol e os 199 mortos em Congonhas não influenciam as estatísticas de segurança. “Certamente, se sairmos do emocional e passarmos para o prático, veremos que, a despeito dessas ocorrências, o transporte aéreo ainda é um dos mais seguros que existe”, diz.

Com 0,9 acidentes a cada 1 milhão de decolagens, o Brasil, salienta o representante do Snea, está abaixo da média mundial, que é de 1,2 acidente por milhão.

Para Jenkins e o diretor de Segurança de Vôo do SNA, Carlos Camacho, o maior problema da aviação brasileira é a falta de estratégia para dar conta da expansão do setor nos últimos anos. “O que não houve foi planejamento adequado para acompanhar o crescimento do transporte aéreo no Brasil”, diz Camacho.

Camacho reconhece os problemas provocados pela crise aérea. Ele, no entanto, diz que as dificuldades no setor podem ser resolvidas a médio e longo prazo. “O que temos são problemas estruturais e conjunturais que deverão ser resolvidos ao longo dos anos”, disse Camacho. Ele, porém, não fez uma expectativa de tempo para a solução desses problemas.

Como o transporte aéreo no Brasil é uma concessão pública, Camacho acredita que o governo deveria ter se preparado para o desenvolvimento da aviação nacional. “A partir do momento que se promove um crescimento de 14% ao ano, de uns três anos para cá, com empresas surgindo com mais de cem aviões, é necessário ver se o sistema vai acompanhar”, avalia. “Se o sistema aéreo não der conta, não deveria estar crescendo nesses níveis”, salientou.

Para o Snea, os atrasos e cancelamentos de vôos foram provocados pela saturação dos aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). “Nossos aeroportos não cresceram na necessidade para dar suporte para o crescimento do transporte aéreo, embora esse crescimento já estivesse previsto e planejado há mais de dez anos”, reclama Jenkins.

Camacho defende o “congelamento” do setor aéreo para que as autoridades tenham tempo de resolver os principais problemas da aviação nacional. “Deve-se manter o número atual de aviões e de freqüências [de vôo], dar uma congelada no sistema, aumentar a formação de controladores e de mão-de-obra especializada e cuidar da ganância das empresas que têm cuidado mais do lucro do que da segurança”, sugere.



 

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