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Brasília - A
valorização da diversidade racial por meio da inclusão
de conteúdos sobre a história e a cultura
afro-brasileiras nos currículos escolares ainda não é
realidade nas salas de aula, de acordo com pesquisa da organização
não-governamental Centro de Estudos das Relações
do Trabalho e Desigualdade (Ceert).
Em 2003,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que
tornou os conteúdos obrigatórios nas grades
curriculares dos ensinos médio e fundamental. “A lei é
importante, mas ainda não tem efetividade, não
tem implementação, ainda carece de um esforço
por parte dos governos para assegurar sua efetiva aplicação”,
avalia Hédio Silva, um dos coordenadores do Ceert.
Entre as
conclusões, o levantamento mostra que, geralmente, o tema é
abordado pelos professores somente em datas comemorativas, como a
Abolição da Escravatura e o Dia da Consciência
Negra. De acordo com a pesquisa, feita entre 2005 e 2006 com 987
professores do município de São Paulo, 70% dos
educadores trabalham a diversidade em datas específicas, 54%
desconhecem a lei e as diretrizes curriculares de valorização
da diversidade e 38% acreditam que falta formação para
abordar os novos conteúdos em sala de aula.
De acordo
com o coordenador da ONG, o levantamento também mostrou que os
professores reconhecem o papel da escola na valorização
da diversidade e estão dispostos a colaborar com a
implementação dos novos conteúdos.
“Há
uma consciência por parte dos educadores desse papel
estratégico da escola. Mas disponibilidade e boa vontade são
insuficientes para se obter uma resposta consistente da educação;
são necessários investimentos maciços na
capacitação de professores, de treinamento, na
disponibilização de fontes de pesquisa e de
bibliografia e na checagem dos materiais que circulam nas escolas”,
lista.
Segundo
Silva, os materiais didáticos utilizados nas escolas
brasileiras, de modo geral, “ainda têm referências
européias, eurocêntricas” e não valorizam a
“geografia de identidades culturais” que formam o Brasil. “Não
é razoável que um material didático possa
veicular uma imagem estereotipada, que induza ao preconceito contra a
população negra. É preciso introduzir valores
positivos, que associem, compreendam e projetem a diversidade como a
riqueza que ela representa para a humanidade”.
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