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19 de Novembro de 2007 - 14h59 - Última modificação em 19 de Novembro de 2007 - 19h20


Lançada campanha para combater a compra de votos nas eleições de 2008

Morillo Carvalho
Repórter da Agência Brasil

 
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Gervásio Baptista/Abr
Brasília - O secretário-geral da CNBB,  Dom Dimas Lara Barbosa, participa do lançamento da campanha Voto Não Tem Preço, Tem Conseqüências, em defesa de eleições éticas
Brasília - O secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, participa do lançamento da campanha Voto Não Tem Preço, Tem Conseqüências, em defesa de eleições éticas
Brasília - Mais de 600 políticos brasileiros foram cassados pela Justiça, desde as eleições de 2000, por corrupção eleitoral. Hoje (19), o Movimento pelo Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) resolveu levantar uma bandeira por eleições limpas no ano que vem, quando serão disputados os cargos de prefeito e vereador em todos os municípios do país. O lançamento da campanha foi na manhã de hoje (19), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília.

Com o lema Voto Não Tem Preço, Tem Consequências, o MCCE espera chegar a todos os municípios do país e mobilizar a população para combater a compra de votos e o uso da máquina administrativa em favor próprio, motivos que levaram à grande parte das 623 cassações ocorridas desde 2000, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A mobilização teve origem em 1999, quando foi aprovada a Lei 9.840 – que proíbe a compra de votos e o uso eleitoral da máquina administrativa. Essa foi a primeira lei aprovada por iniciativa popular da história do Brasil: na ocasião, mais de 1 milhão de assinaturas foram coletadas pelo país e enviadas ao Congresso.

Participam da campanha, ao todo, 33 entidades, como Voto Consciente, Cáritas Brasileira e OAB. A idéia é montar, em todos os municípios do país, os chamados “Comitês 9840” (em alusão ao número da Lei), onde serão distribuídas cartilhas para instruir os eleitores.

Para o presidente do Conselho Federal da OAB, Cezar Britto, a importância da campanha é a mesma que tem a própria democracia.

“Só há democracia se as eleições forem limpas, se o resultado das urnas refletir o que pensa o eleitor, que é soberano. E só refletirá se não houver corrupção eleitoral, se não houver desvio de verba para este fim”, defendeu.

De acordo com o juiz eleitoral Márlon Reis, que também preside a Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais, mais de 1,1 mil processos de cassação ainda correm na Justiça, com relação apenas às eleições passadas. Para ele, a responsabilidade por eleições limpas não é só do eleitor.

“Nós queremos cobrar todos os atores durante o processo [eleitoral]. Dos eleitores, esperamos que não aceitem, que se rebelem contra a corrupção eleitoral e se mobilizem contra ela. Dos políticos, esperamos que assumam compromisso inafastável com uma campanha ética. E ao eleitorado, a gente passa a mensagem de que não só não votem como denunciem os políticos que desobedecerem isso”, disse.

Presente ao lançamento da campanha, o secretário-geral da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), Dom Dimas Lara Barbosa, disse que fé e política são assuntos que combinam.

“Política, na definição mais plena, é a arte de viver na pólis [cidade], e nós, católicos, temos uma motivação a mais, além daquela que todo cidadão deve ter. É, justamente, porque professamos que a 'fé sem obras é morta', citando São Tiago, e, por isso, a fé tem que se encarnar em atitudes concretas. A política é uma delas”, afirmou.


Confira quadro com o número de políticos cassados por estado nas eleições de 2000, 2002, 2004 e 2006:


EstadoCassações
MG71
RN60
SP55
BA54
RS49
CE37
PB36
GO33
SC25
PI22
MT20
MS18
RJ18
RR17
PR16
MA14
PA14
PE14
RO13
SE10
AP9
ES7
AL4
TO3
AM2
AC1
DF1
TOTAL623

Fonte: Movimento pelo Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE)


Matéria foi alterada para inclusão de quadro.
 


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