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Brasília - O Brasil e a Argentina
decidiram criar uma comissão bilateral, coordenada pelos
presidentes dos dois países, para impulsionar áreas de
cooperação em energia, ciência e tecnologia,
defesa, integração produtiva, espacial e nuclear e
também em temas sociais.
O anúncio foi
feito pela presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner, após
reunião privada com o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e encontro ampliado com ministros brasileiros e argentinos.
A comissão terá
dois encontros anuais - o primeiro deles deve acontecer em fevereiro
de 2008, em Buenos Aires.
A construção
de uma usina hidrelétrica binacional no Rio Uruguai - projeto
batizado de Garabi - será uma das prioridades da primeira
reunião, de acordo com o assessor especial da Presidência
da República, Marco Aurélio Garcia. O tema deve ser
tratado pelos chanceleres brasileiro, Celso Amorim, e argentino,
Jorge Taiana, com outros ministros durante a próxima cúpula
de presidentes do Mercosul, no dia 18 de dezembro, em Montevidéu,
Uruguai.
"[Os dois
chanceleres] Vão tratar exatamente de preparar um programa
de ação, e esse programa vai ser, de uma certa maneira,
o que vai orientar o próximo encontro dos dois presidentes",
antecipou Marco Aurélio Garcia. "Há disposição
concreta de levar adiante isso", assegurou.
A cooperação
em matéria nuclear e espacial também interessa
particularmente ao governo brasileiro, segundo Marco Aurélio
Garcia.
"A idéia
que apareceu mais nas conversas foi de, em primeiro lugar,
inventariar todas as iniciativas nucleares que há de uma parte
e de outra", disse o assessor espacial da Presidência,
destacando que há iniciativas semelhantes nos dois países,
como o enriquecimento de urânio.
"É preciso
ver, concretamente, a possibilidade de uma iniciativa conjunta.
Gostaríamos muito que tivéssemos uma cooperação
muito estreita na questão espacial e na questão
nuclear", afirmou.
Os temas de interesse
comum serão discutidos pelos presidentes semestralmente, cada
vez em um país. No intervalo, as questões serão
encaminhadas por subgrupos temáticos coordenados pelos
ministros de cada área.
"Propus que
fixemos metas, fixemos objetivos e prazos para alcançar essas
metas e objetivos de modo que as discussões que vamos ter não
sejam apenas um exercício de 'reunionismo', como dizemos na
Argentina, mas de resultados concretos", afirmou Cristina
Kirchner.
Ela destacou a
importância do novo mecanismo para o aprofundamento da
integração "estratégica" entre o
Brasil e a Argentina e para o fortalecimento da região como
bloco.
"Resultados que
possam ser quantificados, exibidos e percebidos para ambas as
sociedades", disse em seu breve
discurso, sem direito à perguntas da imprensa.
Participaram da reunião
ministerial, no Palácio Planalto, oito ministros brasileiros,
entre eles o de Relações Exteriores (Celso Amorim),
Defesa (Nelson Jobim), Minas e Energia (Nelson Hubner) e Fazenda (Guido
Mantega), além do presidente do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (Luciano Coutinho), e o
diretor da área Internacional da Petrobras (Nelson Cerveró).
Pelo lado argentino,
participaram quatro ministros que continuarão em seus cargos e
dois futuros ministros – da Economia (Martin Lousteau) e da Ciência
e Tecnologia (Lino Barañao).
Foi a primeira visita
bilateral de Cristina Kirchner como presidente eleita. Ela tomará
posse no dia 10 de dezembro e
o presidente Lula deve participar da cerimônia.
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