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19 de Novembro de 2007 - 20h47 - Última modificação em 19 de Novembro de 2007 - 20h47


Brasil e Argentina criam comissão bilateral para impulsionar áreas de cooperação

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O Brasil e a Argentina decidiram criar uma comissão bilateral, coordenada pelos presidentes dos dois países, para impulsionar áreas de cooperação em energia, ciência e tecnologia, defesa, integração produtiva, espacial e nuclear e também em temas sociais.

O anúncio foi feito pela presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner, após reunião privada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e encontro ampliado com ministros brasileiros e argentinos.

A comissão terá dois encontros anuais - o primeiro deles deve acontecer em fevereiro de 2008, em Buenos Aires.

A construção de uma usina hidrelétrica binacional no Rio Uruguai - projeto batizado de Garabi - será uma das prioridades da primeira reunião, de acordo com o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. O tema deve ser tratado pelos chanceleres brasileiro, Celso Amorim, e argentino, Jorge Taiana, com outros ministros durante a próxima cúpula de presidentes do Mercosul, no dia 18 de dezembro, em Montevidéu, Uruguai.

"[Os dois chanceleres] Vão tratar exatamente de preparar um programa de ação, e esse programa vai ser, de uma certa maneira, o que vai orientar o próximo encontro dos dois presidentes", antecipou Marco Aurélio Garcia. "Há disposição concreta de levar adiante isso", assegurou.

A cooperação em matéria nuclear e espacial também interessa particularmente ao governo brasileiro, segundo Marco Aurélio Garcia.

"A idéia que apareceu mais nas conversas foi de, em primeiro lugar, inventariar todas as iniciativas nucleares que há de uma parte e de outra", disse o assessor espacial da Presidência, destacando que há iniciativas semelhantes nos dois países, como o enriquecimento de urânio.

"É preciso ver, concretamente, a possibilidade de uma iniciativa conjunta. Gostaríamos muito que tivéssemos uma cooperação muito estreita na questão espacial e na questão nuclear", afirmou.

Os temas de interesse comum serão discutidos pelos presidentes semestralmente, cada vez em um país. No intervalo, as questões serão encaminhadas por subgrupos temáticos coordenados pelos ministros de cada área.

"Propus que fixemos metas, fixemos objetivos e prazos para alcançar essas metas e objetivos de modo que as discussões que vamos ter não sejam apenas um exercício de 'reunionismo', como dizemos na Argentina, mas de resultados concretos", afirmou Cristina Kirchner.

Ela destacou a importância do novo mecanismo para o aprofundamento da integração "estratégica" entre o Brasil e a Argentina e para o fortalecimento da região como bloco.

"Resultados que possam ser quantificados, exibidos e percebidos para ambas as sociedades", disse em seu breve discurso, sem direito à perguntas da imprensa.

Participaram da reunião ministerial, no Palácio Planalto, oito ministros brasileiros, entre eles o de Relações Exteriores (Celso Amorim), Defesa (Nelson Jobim), Minas e Energia (Nelson Hubner) e Fazenda (Guido Mantega), além do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Luciano Coutinho), e o diretor da área Internacional da Petrobras (Nelson Cerveró).

Pelo lado argentino, participaram quatro ministros que continuarão em seus cargos e dois futuros ministros – da Economia (Martin Lousteau) e da Ciência e Tecnologia (Lino Barañao).

Foi a primeira visita bilateral de Cristina Kirchner como presidente eleita. Ela tomará posse no dia 10 de dezembro e o presidente Lula deve participar da cerimônia.




 


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