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Brasília - Entre as partes interessadas na
possível desocupação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, pelos arrozeiros, falta
consenso e sobram acusações. Uma das polêmicas envolve o trabalho de
organizações religiosas e não-governamentais com os índios das etnias
Ingaricó, Macuxi, Patamona. Taurepang e Wapixana que habitam a região nordeste
de Roraima.
As entidades são duramente
criticadas por políticos e produtores. “As ongs e setores radicais da igreja
católica pressionam o presidente [da República] a fazer a demarcação e depois abandonam as
aldeias. Muitos índios que foram educados por padres também acabam adotando
posturas agressivas”, critica o senador Augusto Botelho (PT-RR).
O presidente da Associação dos Arrozeiros, Paulo César
Quartiero, diz que os índios seriam vítimas de uma doutrinação equivocada,
supostamente ligada à exploração de recursos minerais por outros países: “A
terra também é transformada em área ambiental e os índios não têm direito de
usar os recursos naturais. Na prática, serão reservas dominadas por ongs
estrangeiras. Os que moram lá se tornarão meros guarda- mato”.
A resposta vem da irmã Edna Pitarelli, coordenadora do
Conselho Indígena Missionário (órgão ligado á Igreja Católica) na região. Ela
diz que os críticos mostram desespero e
atacam quem não deveriam. “Isso é não reconhecer capacidade indígena de se
auto-organizar. Temos um trabalho de muitos anos na região e lutamos apenas
pela vida com dignidade”, disse a missionária em entrevista à Agência Brasil.
Edna Pitarelli diz que o apoio da igreja à demarcação se deve
aos efeitos da produção de gado e de arroz, que prejudicavam a agricultura de
subsistência nas aldeias, e aos ataques sofridos pelos índios por parte de
brancos. Mas ela não aprova uma retirada violenta dos produtores: “O problema é
que insistem em resistir e pode acabar acontecendo algo que seria muito ruim
para todos.”
A terra indígena em Roraima foi homologada pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 15 de maio de 2005, em uma área de 1,74
milhão de hectares, onde vivem cerca de 18 mil índios.
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