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Rio de Janeiro - O Brasil tem que possuir uma “cesta” de
geração de energia a partir de usinas térmicas
de fontes variadas para suprir a necessidade de geração
hídrica nos anos secos ou de forte estiagem. A avaliação
foi feita hoje (21) pelo presidente da Eletronuclear, Othon Luiz
Pinheiro da Silva.
“A impossibilidade de ter estocagem hidrelétrica
leva o país a ter térmicas”, disse, citando como
fontes gás, biomassa, óleo e carvão. “E a
nuclear não pode ficar de fora.” Ele ressaltou que as
escolhas dentro dessa cesta (combinação de diferentes
fontes) devem sempre ter a preocupação de dar o menor
preço para a sociedade e o menor impacto ambiental
Silva afirmou, por outro lado, que a
prioridade em termos de produção de energia “por
muitos anos” no Brasil vai ser hidrelétrica. “Só
que as hidrelétricas hoje não podem aumentar o estoque.
E eletricidade é um consumível como outro qualquer. E
qualquer que seja o consumível, nós precisamos
produzir, armazenar, transportar e distribuir”, ponderou.
Segundo o presidente da
Eletronuclear, o sistema hidrelétrico brasileiro tinha essa
equação bem resolvida até há poucos anos,
porque os locais onde foram localizadas as usinas permitiam que se
construíssem reservatórios para estocar água
para a geração de energia na época de estio.
“Agora é muito difícil
construir as novas barragens com estoque. Então, o que ocorre
é que a prioridade para produção continuará
sendo hidrelétrica, mas nós vamos ter que fazer um mix
de térmicas que dê garantia de fornecimento ao nosso
público”, avaliou.
Silva destacou que o Brasil possui
uma grande quantidade de urânio. “Seria um contra-senso, uma
falta de inteligência total não considerar esse um
grande energético para o país”. As reservas
brasileiras medidas de urânio alcançam 309 mil toneladas
equivalentes de yellow cake,
primeiro produto do ciclo nuclear. O potencial de produção
estimado é de mais 800 mil toneladas. “Isso é muita
energia. Se a gente considerasse o que a Petrobras sabia antes da
descoberta da mega-província petrolífera de Tupi, na
Bacia de Santos, a gente tinha mais energia em urânio do que em
óleo e gás juntos”, disse.
A produção do yellow
cake, ou bolo amarelo,
consiste em limpar o urânio das impurezas. Nessa condição,
ele apresenta ainda impurezas da mina, mas tem entre 70% e 80% de
urânio puro. É nessa forma, normalmente, que o produto é
fornecido no mercado.
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