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Brasília - A Conferência de Paz para o Oriente Médio, que ocorre na próxima semana na cidade norte-americana de Annapolis (Maryland), e tem a participação do Brasil como convidado, representará a oportunidade de o país consolidar a imagem como nação presente nas grandes questões do cenário internacional. A avaliação é do pesquisador do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB) Anderson Batista. De acordo com o especialista, a presença do Brasil na conferência é estratégica para o país reafirmar a política externa. “O Brasil tem atuado em muitas situações como mediador, o que dá destaque ao país”, ressalta. Para Batista, o envolvimento nas negociações de paz no Oriente Médio traz projeção internacional à diplomacia brasileira e pode até ajudar o país na pretensão de conquistar uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. “Nesse momento tudo conta, afinal ainda estamos pleiteando uma cadeira permanente no Conselho de Segurança”, avalia. Conforme o pesquisador, o Brasil tem a vantagem de ter “certo grau de neutralidade e imparcialidade” em relação aos conflitos no Oriente Médio”, o que ajudará nas negociações. Além disso, aponta o especialista, a presença do país na conferência aumenta os contatos diplomáticos e pode trazer benefícios para a economia do país, mesmo que o encontro termine em fracasso. Segundo o especialista, a recusa da maioria dos países árabes em participar das negociações pode minar os esforços de trazer paz para a região. “A Síria se recusa a ir, até agora só quem está garantido dos países árabes é o Egito. A decisão da grande maioria dos países árabes é não participar”, afirma. Em relação aos Estados Unidos, o professor avalia que um dos objetivos do encontro é mudar a imagem do governo do presidente George W. Bush para o mundo árabe. “Acredito que o encontro possa ser um princípio de conversa para que o governo de Bush não passe para a história apenas como aquele que interveio militarmente em regiões do Oriente Médio e da Ásia atendendo as vontades de companhias petrolíferas dos EUA”, analisa.
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