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Brasília - O aumento no número de registros de doenças
e acidentes do trabalho levou parte dos empregadores a investir em
políticas de prevenção. Em Brasília, por
exemplo, uma empresa de telemarketing encerrou ontem (23) a
Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho.
"Com melhor saúde, certamente eles
poderão trabalhar melhor", garantiu a técnica em
segurança do trabalho Ana Paula de Araújo, que
coordenou as atividades.
Com palestras sobre ergonomia e combate às
doenças ocupacionais, ela também promoveu sessões
de massagens e exames para medição de glicemia e de
pressão sangüínea entre os funcionários.
Na empresa, segundo Araújo, há
quatro anos, são dadas aulas de ginástica laboral com
duração de dez a 15 minutos três vezes por
semana. Nos outros dias, os operadores de telemarketing podem
marcar sessões com um massagista, dentro da firma, e fazer
exercícios individuais a qualquer hora, na própria mesa
de trabalho, com um bolinha fisioterápica.
"Nem é preciso levantar e, assim, eles
evitam a tendinite, dentro do programa de prevenção à
lesão por esforço repetitivo", lembrou. A LER, sigla pela qual é conhecido esse tipo de lesão, responde por 49% – quase metade – dos casos de doenças ocupacionais, segundo o Ministério da Previdência Social. Estima-se que, incluídos os gastos indiretos, esses problemas de saúde custem até R$ 40 bilhões por ano à Previdência.
Para a operadora de telemarketing
Raimunda Paiva de Lima, a prática da ginástica laboral
produz resultados efetivos na saúde do trabalhador. Ela se
queixava de fortes dores nas costas, decorrentes de uma jornada de
seis a oito horas diárias, sentada diante do computador.
“A
ginástica ajuda a gente a relaxar. As dores no corpo saem
todas. Podia ter todo dia”, disse. Mas lamentou que alguns
funcionários ainda prefiram forçar o ritmo de trabalho,
por conta da produtividade: "Eu chamo muita gente para os
exercícios, mas quase ninguém vai. E é essencial
que o próprio trabalhador essa iniciativa".
A técnica Ana Paula Araújo também
lamentou que a maioria dos empregadores não leve a sério
a segurança do trabalho. "Eles acham que é tempo
perdido. Na verdade, ainda estão engatinhando nessa área
e há muita coisa a ser mudada", afirmou. E anunciou que
ainda neste final de ano será implantado na empresa um
programa, em parceria com um grupo de fonoaudiólogos, para
prevenir problemas específicos de voz, já que o
operador de telemarketing passa grande parte do dia falando
ao telefone.
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