24 de Novembro de 2007 - 10h51 -
Última modificação
em 24 de Novembro de 2007 - 11h05
Negros enfrentam preconceito no acesso à saúde, diz coordenadora
Bárbara Lobato* Da Agência Brasil
Brasília - Além de lidar
com doenças como a falciforme e diabetes tipo 2, que atingem
com mais frequência pessoas negras, em questão
de saúde, essa população enfrenta ainda o
preconceito. A conclusão é da coordenadora da
organização não-governamental Criola, Jurema
Werneck. Segundo ela, o problema é maior em relação
as mulheres negras.
"A maioria dos
médicos fazem perguntas discriminatórias do tipo: 'você
tomou banho hoje?'. Ou seja, as mulheres negras são muito mal
tratadas, principalmente nas áreas de ginecologia e
obstetria", explica.
Segundo ela, as regiões da
periferia, em que há maior concentração de
pessoas negras, são as mais esquecidas pelo governo. "Não
há serviço e, se tem, as informações não
são cedidas. O atendimento é muito ruim", diz.
"Os negros têm
mais dificuldade de acesso aos serviços de saúde. E não
digo só de acesso físico, mas em relação
à quantidade de consultas ou tratamento de qualidade”,
completa.
A coordenadora do comitê técnico de
saúde da população negra do Ministério da
Saúde, Ana Maria Costa, reconhece que a situação
da população negra é muito difícil. "O
negro ainda sobrevive em condições muito precárias
e isso reflete na situação de saúde dessa
população. E nós sabemos que a saúde não
é só a ausência de doenças. Na verdade é
um conjunto de situações econômicas e sociais que
determinam a situação de saúde de uma
coletividade", disse.
Questionada sobre a demora para que
o atendimento na saúde seja melhor, Costa disse que aprovar
uma política pública do governo e colocá-la em
vigor demora. Segundo ela, as ações preisam ser vistas
como resultados a longo prazo.
"Há toda uma
movimentação de melhoria na estrutura de atendimento.
Não está mais debaixo do tapete a situação
de saúde da população negra. O país exibe
isso e é claro que essas coisas precisam ser evidenciadas
pois, a partir daí, indica a responsabilidade dos gestores do
SUS [Sistema Único de Saúde] por buscar mais
eqüidade para a população negra".
Segundo
Maria, quem se sentir vítima de preconceito na rede pública de saúde,
pode fazer uma denúncia por meio da ouvidoria do SUS do
Ministério da Saúde: 0800 61 1997.
Ouça aqui matéria especial da Voz do Brasil sobre essa questão: