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Brasília - O grupo interministerial criado para acompanhar o
caso da adolescente de 15 anos que ficou presa durante três
semanas numa cela com 20 homens em Abaetetuba (PA) vai apurar,
também, denúncias de abuso sexual contra mulheres em
outras cadeias do estado.
Uma das coordenadoras do grupo que desde ontem
está no Pará apurando as investigações,
Bete Pereira, disse que existem denúncias de casos parecidos
em Parauapebas e na Ilha de Marajó. Segundo ela, a governadora
Ana Júlia Carepa determinou um “pente-fino” nas cadeias do
estado.
“Ficamos sabendo de alguns casos pela imprensa.
Precisamos saber se são ocorrências passadas ou
presentes. O pente-fino que a governadora determinou ontem começa
a ser feito a partir de hoje em todos os lugares e, daquilo que a
gente conseguir ter pernas para acompanhar, vamos acompanhar”,
disse. “Será um pente-fino em todas as cadeias públicas
do estado para verificar se tem mais algum lugar onde tem alguma
mulher”, acrescentou.
Segundo Bete Pereira, caso fique constatada a
presença de mulheres e crianças em outras cadeias do
estado sem condições de detenção separada
dos homens, elas deverão ser encaminhadas imediatamente para a
capital do estado. “Aqui [em Belém] tem condições
de abrigamento decente”, disse.
Pereira afirmou que foram afastados de suas
funções todos os acusados de envolvimento no caso, como
o policial que cuidava da carceragem, o delegado de plantão e
o juiz da comarca, e um inquérito foi aberto para apurar
responsabilidades. “Tem toda uma rede de pessoas que fizeram coisas
erradas. Vamos ver se eles tomaram providências, e se não
tomaram, pecaram por omissão”, disse.
Ela afirmou ainda que os presos que dividiram a
cela com a adolescente também irão responder pelo crime
de abuso sexual e poderão ter suas penas agravadas.
O inquérito administrativo será
acompanhado por uma comissão formada pelas secretarias de
Justiça e da Mulher, pelo Fórum Nacional de Mulheres e
pela seccional do Pará da Ordem dos Advogados do Brasil.
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